Sexta-feira, 27 de março de 2026

Investigado no caso do Banco Master e na Operação Carbono Oculto, fundador da Reag discute delação premiada com o Ministério Público

Um dos alvos das investigações relacionadas ao Banco Master, o empresário João Carlos Mansur decidiu fazer uma delação premiada e negocia os termos do acordo de colaboração desde o fim do ano passado. Ele procurou o Ministério Público de São Paulo em novembro e iniciou tratativas para delatar no âmbito das investigações da Operação Carbono Oculto, que apura a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) em atividades da economia formal.

Mansur era dono da Reag, gestora de fundos de investimento que foi alvo da operação em agosto do ano passado. Depois, com o avanço das investigações do caso Master, ele também entrou no radar das apurações relacionadas a Daniel Vorcaro.

O advogado de Mansur é José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, o mesmo contratado por Vorcaro para negociar a sua delação premiada há cerca de duas semanas. Isso faz com que, nos bastidores, autoridades digam acreditar em uma delação em conjunto dos dois, a ser negociada com a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a Polícia Federal (PF).

Caso os dois mantenham relatos semelhantes, no mesmo sentido, não haveria conflito. Cada um assinaria o próprio termo de colaboração.

A opção por uma delação conjunta não é formal, mas combinada entre as defesas. Eles não podem se contradizer e precisam apresentar a mesma história às autoridades e se complementarem. Por outro lado, o tamanho dos benefícios vai depender do quanto cada um entrega em informações e provas e da gravidade dos crimes imputados a cada um.

Mansur começou a negociar uma delação antes de Vorcaro ser preso, em 17 de novembro. Quando o ex-banqueiro foi detido, os investigadores da Carbono Oculto informaram as equipes do caso Master sobre a possibilidade de que eventual acordo de delação com o dono da Reag poderia citar os mesmos alvos.

A Carbono Oculto apura fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro em postos de combustíveis em um esquema que envolve recursos do PCC. A Reag, segundo os investigadores, abrigaria fundos que foram usados para esquentar o dinheiro de atividades criminosas além de ocultar os verdadeiros donos.

A gestora tinha R$ 352 bilhões sob administração em novembro do ano passado, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

Segundo três pessoas com conhecimento das investigações, Mansur apresentou uma proposta de colaboração ao Ministério Público Federal em São Paulo, que não avançou.

A defesa de Mansur procurou integrantes da Procuradoria da República que atuaram ou auxiliaram nas apurações da Quasar, operação relacionada a alvos similares aos da Carbono Oculto, mas as discussões foram encerradas ainda em estágio inicial.

Em novembro do ano passado, a defesa também ofereceu uma sugestão de acordo ao Ministério Público do Estado de São Paulo, que, por sua vez, levou à frente as discussões a respeito da colaboração. Esse acordo ainda não foi fechado.

A delação ser feita em âmbito estadual indica que não haveria políticos ou pessoas mencionadas com foro especial federal – como deputados federais ou senadores. Além disso, o dinheiro a ser devolvido por meio da negociação também iria para o estado de São Paulo, por desvios de recursos locais.

A Reag era uma das maiores gestoras independentes – ou seja, sem ligação com um banco – do País. Mansur deixou o cargo de presidente do Conselho de Administração em setembro de 2025 para conter a crise criada pela Carbono Oculto.

Em diversas ocasiões, o empresário negou que houvesse irregularidades no funcionamento da Reag e, em depoimento neste mês à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, ele disse que a empresa tinha um compliance forte e foi penalizada por ser “grande e independente”.

Para a homologação de um acordo, é preciso admitir crimes e apresentar provas que corroborem a narrativa apresentada aos investigadores.

A Carbono Oculto foi deflagrada em agosto do ano passado junto a outras duas operações que envolviam a PF: a Tank, no Paraná, e a Quasar, em São Paulo, que trata de uso de fundos de investimentos em suspeitas de lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de instituições financeiras.

Em janeiro, Mansur foi um dos alvos da segunda fase da operação Compliance Zero, que apurou a atuação de fundos de investimentos que teriam sido usados para inflar o patrimônio do Master.

O caso está sob a responsabilidade da PGR e é supervisionado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), em Brasília. (Com informações da Folha de S.Paulo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

Ministro do Supremo Gilmar Mendes diz que vazamento de diálogos de Vorcaro é “deplorável”: “Criminoso que isso tenha ocorrido”
É fake que Daniel Vorcaro deu entrevista a William Bonner; site aplica golpe
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play