Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 14 de janeiro de 2026
O Irã advertiu aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio que retaliará contra bases americanas em seus territórios caso Washington ataque o país, disse nesta quarta-feira à agência Reuters um funcionário do alto escalão do governo iraniano, após ameaças do presidente Donald Trump de intervir em apoio aos manifestantes.
O número de mortos em decorrência da onda de protestos no Ira subiu para quase 2.600, segundo um grupo de direitos humanos, enquanto o establishment do governo teocrático tenta reprimir as manifestações em todo o país, que representam um dos maiores desafios ao regime desde a Revolução Islâmica de 1979.
Segundo uma avaliação da inteligência de Israel, Trump decidiu intervir, mas o alcance e o momento dessa ação permanecem incertos, disse um funcionário israelense.
A autoridade iraniana falou sob condição de anonimato, que Teeră pediu aos aliados dos EUA na região que “impedissem Washington de atacar o Irã”. Segundo a autoridade, Teeră “informou países da região, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos até a Turquia, que as bases dos EUA nesses países serão atacadas” caso os EUA tenham o Ira como alvo. O funcionário acrescentou que os contatos diretos entre o ministro das Relações Exteriores do Irā, Abbas Araghchi, e o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, foram suspensos, refletindo o aumento das tensões.
Uma segunda fonte israelense, funcionário do governo, disse que o gabinete do primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu, foi informado no fim da noite de ontem sobre as chances do colapso do regime ou de intervenção dos EUA no Ira, um arqui-inimigo contra o qual Israel travou uma guerra de 12 dias no ano passado.
Em entrevista à CBS News na terça-feira (13), Trump prometeu “ações muito fortes” caso o Irã execute manifestantes. “Se eles os enforcarem, vocês vão ver algumas coisas”, disse ele. Ele também instou os iranianos, em uma postagem nas redes sociais, a continuarem protestando e a tomarem as instituições, declarando que a “ajuda está a caminho”, sem dar detalhes. O presidente americano também suspendeu os diálogos entre os dois países até que a “matança acabe”.
O Departamento de Estado dos EUA instou, na terça-feira, os cidadãos americanos a deixarem o Ira imediatamente, inclusive por via terrestre, através da Turquia ou da Armênia. O governo americano mantém forças militares em toda região, inclusive no Bahrein, sede do quartel-general da Quinta Frota da Marinha dos EUA, e no Catar, que abriga a Base Aérea de Al-Udeid, posto avançado do Comando Central dos EUA.
O Ira disparou mísseis contra Al-Udeid no ano passado em retaliação a ataques aéreos dos EUA contra suas instalações nucleares.
Emirados Árabes e Turquia
A mídia estatal iraniana informou que o chefe do principal órgão de segurança do Irã, Ali Larijani, conversou com o ministro das Relações Exteriores do Catar e que Araqhchi falou com seus homólogos dos Emirados Árabes Unidos e da Turquia. Todos esses países são aliados dos EUA.
Araqhchi disse ao ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, xeique Abdullah bin Zayed, que “a calma prevaleceu” e que os iranianos estavam determinados a defender sua soberania e segurança de qualquer interferência estrangeira, informou a mídia estatal.
O fluxo de informações a partir do Iră tem sido prejudicado por um apagão da internet.
As autoridades iranianas acusaram os Estados Unidos e Israel de fomentar os distúrbios, atribuindo a violência a pessoas que consideram terroristas e que atacaram forças de segurança, mesquitas e propriedades públicas. As informações são do Valor Econômico.