Quarta-feira, 01 de abril de 2026

Irã aperta controle sobre Ormuz: média diária cai de 135 navios antes de conflito para apenas seis em março

Ataques de Israel e dos Estados Unidos eliminaram líderes de alto escalão do Irã e atingiram alvos-chave em todo o país. Em meio à escalada e às ameaças do presidente americano, Donald Trump, de atacar a infraestrutura energética iraniana, é possível afirmar que, após um mês de confrontos, foi Teerã quem obteve a vitória estratégica mais relevante ao reforçar seu controle sobre o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde, normalmente, circulam cerca de 20% do petróleo e gás comercializados globalmente, além de grandes volumes de outras mercadorias.

As pressões militares dos EUA ajudam a explicar a escalada em torno da via estratégica. Trump voltou a ameaçar a infraestrutura energética iraniana e a própria Ilha de Kharg, principal terminal petrolífero do país, localizado a cerca de 24 quilômetros da costa iraniana, caso não haja um acordo para reabrir o estreito.

Em publicação nesta segunda-feira, o presidente afirmou que Washington mantém “discussões sérias” com um “novo regime” em Teerã, mas disse que poderá “explodir e obliterar completamente” usinas elétricas, poços de petróleo e a ilha se não houver avanço nas negociações. Ele também sugeriu assumir o controle do terminal, responsável por cerca de 90% das exportações iranianas.

Até agora, em março, primeiro mês completo da guerra, apenas cerca de seis embarcações por dia atravessaram a rota marítima que liga o Golfo Pérsico ao restante do mundo, nos dois sentidos. Antes do conflito, esse número girava em torno de 135 por dia, segundo dados compilados pela Bloomberg. Nesse período, 80% dos petroleiros que deixaram o estreito eram iranianos ou de países com os quais o Irã mantém relações cordiais.

Interferências eletrônicas na região têm prejudicado os sistemas de rastreamento, e algumas embarcações desligaram seus transponders, afetando a precisão dos dados. Ainda assim, há indícios de que a capacidade de Teerã de controlar o estreito está aumentando.

Agora, praticamente todos os navios utilizam rotas aprovadas pelo Irã, navegando próximos à sua costa, muitas vezes após negociações para garantir passagem segura. Nos últimos dias, Malásia e Tailândia relataram acordos para liberar petroleiros retidos no golfo.

“O Estreito de Ormuz segue fechado para petroleiros”, diz Anoop Singh, chefe global de pesquisa de transporte marítimo da Oil Brokerage Ltd. — Mesmo com um cessar-fogo, não haverá retomada rápida dos fluxos. Traders, refinarias e agentes da cadeia de suprimentos estão sendo forçados a se adaptar.

O Irã se prepara para aprovar uma lei que prevê a cobrança de pedágio, exigindo que navios compartilhem informações detalhadas e paguem taxas. A medida formalizaria um sistema já relatado por armadores, com petroleiros sendo solicitados a fornecer listas de carga, tripulação e rotas. Em alguns casos, tarifas de até US$ 2 milhões (cerca de R$ 10,4 milhões) por viagem vêm sendo cobradas. (Com informações do jornal O Globo)

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