Segunda-feira, 18 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 18 de maio de 2026
O Ministério das Relações Exteriores do Irã anunciou nesta segunda-feira (18) ter respondido a mais recente proposta dos Estados Unidos para encerrar definitivamente a guerra no Oriente Médio. O movimento diplomático ocorre um dia após o presidente americano, Donald Trump, voltar a ameaçar “aniquilar” o país caso haja demora para um acordo.
A iniciativa acontece no mesmo dia em que o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã apresentou a criação de um novo órgão para gerenciar o tráfego naval no Estreito de Ormuz, passagem estratégica que Teerã pretende reabrir mediante cobrança de taxas de travessia para navios estrangeiros.
“Como anunciamos, nossas preocupações foram transmitidas à parte americana”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, durante entrevista coletiva em Teerã.
Segundo ele, as negociações “continuam por meio da mediação do Paquistão”.
“Os pontos apresentados são demandas iranianas que foram firmemente defendidas pela equipe iraniana em cada rodada de negociações”, acrescentou.
De acordo com Baghaei, as exigências iranianas incluem a liberação de ativos congelados no exterior, a suspensão das sanções econômicas impostas ao país e o pagamento de reparações de guerra pelos Estados Unidos. Teerã classifica o conflito como uma guerra “ilegal e sem fundamento”.
Os termos já haviam sido apresentados aos mediadores na semana passada, mas foram classificados por Trump como “inaceitáveis”.
As negociações ocorrem em meio à retomada das tensões militares e a uma escalada retórica entre os dois países. No domingo, Trump afirmou que “o tempo está acabando” para o Irã e que, sem um acordo, “não restará nada deles”, retomando declarações anteriores amplamente criticadas pela comunidade internacional.
Ainda não está claro se a nova proposta representa avanço rumo a um acordo. A agência iraniana Fars informou no domingo que Washington teria apresentado uma lista de cinco exigências, incluindo a manutenção de apenas uma instalação nuclear em operação no Irã e a transferência das reservas de urânio altamente enriquecido para os Estados Unidos.
Segundo a publicação, os EUA também teriam rejeitado liberar a maior parte dos ativos iranianos congelados e descartado o pagamento de reparações pelos danos da guerra.
Nesta segunda-feira, Baghaei afirmou que o Irã está “totalmente preparado para qualquer eventualidade” diante da possibilidade de retomada das ações militares.
Teerã também anunciou uma nova medida relacionada ao Estreito de Ormuz, onde a navegação civil segue fortemente afetada desde o início do conflito.
Em publicação na rede X, o Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano divulgou comunicado da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA), informando que o órgão fornecerá “atualizações em tempo real sobre as operações no Estreito de Ormuz e os últimos acontecimentos”.
Ainda não há detalhes sobre as atribuições do novo organismo. No início do mês, veículos da imprensa iraniana afirmaram que a estrutura integra um sistema voltado ao exercício da soberania iraniana sobre o estreito.
Os Estados Unidos, no entanto, não reconhecem a iniciativa e rejeitam qualquer reivindicação de Teerã sobre controle da passagem marítima.
No sábado, Ebrahim Azizi, presidente da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, afirmou que o país preparou “um mecanismo profissional para gerenciar o tráfego” no estreito e disse que o modelo será apresentado “em breve”.