Segunda-feira, 02 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 2 de fevereiro de 2026
Israel reabriu nesta segunda-feira (2) a passagem de Rafah, que fica na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito, quase dois anos após ter tomado o controle e fechado o local em meio à guerra com o grupo terrorista Hamas.
A reabertura é válida para o trânsito de pessoas a pé e de ambulâncias. A medida permitirá que palestinos deixem o território e também o retorno daqueles que fugiram da guerra e agora desejam voltar.
Dezenas de ambulâncias foram vistas dos dois lados da fronteira nesta segunda, algumas no lado egípcio da fronteira esperando para buscar palestinos feridos durante o conflito e outras embarcando pacientes de hospitais de Gaza para levá-los à fronteira. O primeiro paciente palestino já cruzou a fronteira em direção ao Egito, informaram as agências de notícias, por volta das 12h50 no horário de Brasília.
Cerca de 20 mil palestinos esperavam a reabertura de Rafah para ir buscar tratamento médico fora de Gaza, segundo ONGs que monitoram a situação.
A reabertura, no entanto, será limitada. Israel exigirá verificações de segurança para os palestinos que entrarem e saírem. Já era esperado que Israel e o Egito impusessem limites ao número de viajantes. Segundo a mídia estatal ligada ao governo egípcio, apenas 50 pessoas seriam autorizadas a atravessar a passagem em cada sentido nos primeiros dias. Uma fonte palestina confirmou o mesmo número à agência de notícias Reuters.
A reabertura da passagem de Rafah ocorreu no âmbito do cessar-fogo na guerra entre Israel e Hamas mediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e assinado em outubro de 2025. A medida era um requisito importante da primeira fase do plano de paz.
O Exército de Israel tomou controle da passagem no início de maio de 2024, cerca de nove meses após o início da guerra em Gaza, fechando uma saída importante da população do território palestino que fugia do conflito.
A chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, elogiou a reabertura da passagem de Rafah, que chamou de “um passo concreto e positivo no plano de paz”. Ela destacou que o local tem papel vital para ajudar palestinos doentes e feridos e disse que uma missão da UE está no local para monitorar as operações e ajudar no processo.
Nos primeiros nove meses da ofensiva de Israel em Gaza, lançada após o ataque do Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023, os palestinos geralmente conseguiam fugir para o Egito pela passagem de Rafah.
Autoridades palestinas dizem que cerca de 100 mil palestinos fugiram de Gaza desde o início da guerra, a maioria deles durante os primeiros nove meses. Alguns foram patrocinados por grupos de ajuda humanitária. Outros pagaram propinas a intermediários no Egito para garantir permissão para sair.
Israel fechou a passagem de Rafah depois que suas forças avançaram sobre a área e também fechou o corredor Filadélfia, que percorre toda a fronteira de Gaza com o Egito.
O fechamento interrompeu uma rota importante para que palestinos feridos e doentes buscassem atendimento médico fora de Gaza. Alguns milhares foram autorizados a sair para tratamento médico em outros países via Israel ao longo do último ano, embora milhares ainda precisem de cuidados no exterior, segundo as Nações Unidas.