Segunda-feira, 09 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 9 de março de 2026
A janela partidária, que foi aberta na última semana, causa desânimo em partidos pequenos no Congresso, que projetam baixas em suas bancadas, o que deve comprometer a sobrevivência dessas próprias legendas por causa da cláusula de barreira após as eleições em outubro. O cenário é mais pessimista entre os partidos de esquerda, como o PDT e PSOL. Integrantes da legenda trabalhista projetam uma redução de cinco parlamentares, enquanto o PSOL teme a saída de militantes após a não formação de uma federação com o PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O PT inclusive corre risco de atrair poucos nomes.
No Centrão, partidos como União Brasil estão sob risco de verem uma diminuição dos quadros. Enquanto isso, em outras legendas, especialmente aquelas mais alinhadas à direita, como Podemos e o PL, se vislumbra um reforço de suas bancadas. O vaivém entre partidos deve acontecer até dia 3 de abril, quando a janela se fecha. Em 2022, 120 dos 513 deputados mudaram de partido.
Desde o começo da semana, as portas dos gabinetes de líderes parlamentares e presidentes de partidos registram um vaivém acima do normal, marcando o início da janela partidária, período em que políticos podem trocar de partido sem perder o mandato.
Em razão da janela, os trabalhos da Câmara ficarão majoritariamente remotos em março. O PDT tem integrantes preocupados com o saldo da janela. Nos bastidores, alguns dão como certa a saída de cinco deputados da bancada de 16 parlamentares. Eles também relatam dificuldade para atrair congressistas para seu grupo.
É um problema que pode causar dano ainda maior em outubro, quando o partido precisará superar a cláusula de barreira para continuar tendo acesso ao Fundo Partidário, crucial para a sua própria sobrevivência.
Os pedetistas reclamam também de alocação ruim do Fundo Eleitoral para candidaturas fracas, além de pouca valorização dos quadros. Sairão, em sua maioria, deputados do PDT cearense, que resolveram deixar o partido após a briga entre os irmãos Ciro Gomes e Cid Gomes – ambos hoje ex-pedetistas.
Integrantes do PDT já dão como certa as partidas de Eduardo Bismarck (CE), Idilvan Alencar (CE) e Robério Monteiro (CE). Também podem abandonar o barco Leo Prates (BA) e Flávia Morais (GO).
Há preocupação também em outras legendas, como PSB e PRD, que sinalizam para um cenário de zero a zero. No segundo caso, há dúvidas sobre se será possível cumprir a cláusula de barreira, regra eleitoral que estabelece uma performance mínima de desempenho eleitoral nas eleições para assegurar que partidos possam ter acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda no rádio e na televisão.
Em 2026, para vencer essa cláusula, os partidos precisarão ter ao menos 2,5% dos votos válidos distribuídos em pelo menos nove Estados, com um valor mínimo de 1,5% em cada um desses Estados, ou eleger 13 deputados federais, distribuídos em pelo menos nove Estados.
No Centrão, partidos pretendem aproveitar debandada do União Brasil para aumentar bancada. Na sigla, a projeção de debandada não é nova. Deputados que faziam parte do antigo Democratas, descontentes com os rumos que o partido tomou desde a fusão com o PSL, deverão sair. Outros dissidentes podem migrar em razão da perda de controle da política em seus Estados após a formação da federação com o PP.
O líder do União Brasil na Câmara, deputado Pedro Lucas Fernandes (União-MA), afirma a aliados que trabalha ativamente para reverter o cenário e atrair o máximo de adesões possíveis para impedir que o partido saia ferido da janela partidária. “Vamos recompor bem”, diz. O União tem hoje 58 deputados e cinco senadores.
Outros partidos do Centrão têm melhores projeções. O MDB já se move com intensidade nesta semana e aposta na articulação do líder na Câmara, Isnaldo Bulhões Jr. (AL), e no trabalho de suas lideranças estaduais. A bancada de 42 deputados já contará com pelo menos mais três parlamentares. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)