Terça-feira, 25 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 25 de agosto de 2026
A primeira-dama Janja da Silva repudiou as declarações feitas pelo candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) durante o primeiro debate presidencial das eleições de 2026, realizado pela TV Bandeirantes. Em nota encaminhada à emissora, Janja classificou as falas como pessoais e depreciativas e afirmou identificar no episódio um padrão de desrespeito às mulheres.
Durante o debate, Renan criticou a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e citou a primeira-dama. “O Lula, coitado, tem que ficar lá com aquela Janja. Era mais fácil ter vindo no debate, ele ia ter companhias melhores”, afirmou. Em outro momento, ao comentar novamente a ausência do presidente, declarou: “Ou está bêbado ou está com a Janja. Melhor ficar bêbado nessas horas, né, presidente?”.
Janja afirmou que Renan atacou uma mulher que não é candidata, não estava presente no debate e, portanto, não tinha possibilidade de responder às declarações no momento em que foram feitas. Segundo ela, o episódio ultrapassou os limites da crítica política.
“Insinuar que a companhia da esposa de outro presidenciável seria motivo de pena está longe de ser uma crítica política”, afirmou a primeira-dama. Na avaliação de Janja, a declaração representa uma forma de “deslegitimar e ridicularizar a figura da mulher” para atingir um adversário político.
A primeira-dama também afirmou que o episódio não deveria ser tratado como um caso isolado. Na nota, mencionou declarações anteriores atribuídas a Renan e disse enxergar “um padrão de falas que normalizam o desrespeito às mulheres”. Ela defendeu que manifestações desse tipo sejam contestadas de forma imediata.
“Debate político é, ou deveria ser, um lugar para apresentar propostas, confrontar ideias e discutir projetos para o nosso país. Não é lugar para expor, debochar ou intimidar uma mulher, principalmente uma que nem candidata é”, escreveu Janja.
A manifestação provocou uma nova reação de Renan Santos nesta terça-feira (25). Em vídeo publicado nas redes sociais, o candidato voltou a criticar Janja, rejeitou a acusação de misoginia e afirmou que suas declarações representaram uma crítica política a uma figura pública.
Renan chegou a chamar a primeira-dama de “rainha louca”, “deslumbrada” e “narcisista”. Também afirmou que Janja não representa todas as mulheres e questionou a influência dela sobre o governo federal, argumentando que ela não ocupa um cargo obtido por eleição.
O candidato ainda voltou a afirmar que críticas dirigidas a uma mulher não podem ser automaticamente classificadas como misoginia. Segundo ele, homens e mulheres que ocupam posições públicas devem estar sujeitos a questionamentos e críticas.
Janja, por outro lado, sustentou que o problema está na forma como a crítica foi feita e no uso de referências à primeira-dama para atacar Lula. O episódio passou a integrar as discussões políticas após o primeiro debate presidencial da campanha, marcado também pela ausência de Lula e Flávio Bolsonaro.