Segunda-feira, 09 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 8 de fevereiro de 2026
O Japão planeja colocar em funcionamento a maior usina nuclear do mundo nesta segunda-feira (9), depois que uma falha em um alarme obrigou no mês passado a suspender a primeira tentativa de reativação desde o desastre de Fukushima em 2011.
Takeyuki Inagaki, diretor da usina de Kashiwazaki-Kariwa, operada pela Tepco (Tokyo Electric Power), afirmou nesta sexta-feira (6) que a previsão é “colocar o reator em funcionamento no dia 9 de fevereiro”.
As operações para reiniciar a instalação, situada na província de Niigata, foram suspensas em 22 de janeiro, poucas horas antes de ter sido iniciado o processo devido a um problema técnico.
A falha estava relacionada à configuração de um alarme e não afetou o funcionamento seguro da usina, afirmou Inagaki. Na ocasião, o problema ocorreu na ativação de apenas um dos sete reatores no local.
Fukushima
Quinze anos depois do terremoto de magnitude 8,9 que provocou o tsunami e derrubou o sistema de resfriamento da usina de Fukushima, as lembranças da crise nuclear começam a perder força no país. Como outras economias avançadas, o Japão busca fontes de energia livres de carbono para sustentar fábricas de semicondutores e data centers ligados à inteligência artificial.
Antes de 2011, a energia nuclear respondia por cerca de 30% da eletricidade do Japão. Desde então, a retomada tem sido lenta: apenas 15 dos 33 reatores operacionais voltaram a funcionar, em grande parte devido a exigências rigorosas de aprovação por governos locais e regionais.
Na cidade de Kashiwazaki, que abriga a usina, o prefeito Masahiro Sakurai autorizou o reinício após o reator cumprir os padrões da agência de segurança nuclear. Ainda assim, a oposição local persiste.
O Japão enfrenta dificuldades para expandir rapidamente fontes renováveis como eólica offshore e solar, o que mantém o país dependente de gás natural e carvão importados, que respondem por cerca de dois terços da matriz energética.
No ano passado, os gastos com essas importações chegaram a quase US$ 70 bilhões.
Falta de confiança
Diante das limitações das renováveis e da meta de neutralidade de carbono, “a única opção prática é a energia nuclear”, afirma Tatsuya Terazawa, presidente do Instituto de Economia da Energia do Japão.
Pela primeira vez desde 2011, pesquisas nacionais indicam maioria favorável à reativação de reatores. O governo quer elevar a participação nuclear para cerca de 20% até 2030, ante menos de 10% atualmente.
Apesar do avanço, obstáculos permanecem. A principal barreira é a falta de confiança nas operadoras, especialmente na Tepco, além da exigência de infraestrutura adequada para evacuação. Em Niigata, autoridades condicionaram o aval à construção de rotas de fuga reforçadas, mas a usina foi religada mesmo com obras inacabadas.
Críticos acusam a empresa de ter ignorado alertas sobre tsunamis antes de 2011 para reduzir custos. Desde então, a companhia enfrenta críticas por falhas de transparência e atrasos técnicos na desativação de Fukushima.
A Tepco realizou reuniões com moradores e prometeu investir mais de US$ 600 milhões na província ao longo da próxima década.
Em nota, a empresa afirmou estar ciente da ansiedade da população e disse que trabalhará “incansavelmente” para reforçar a segurança da usina de Kashiwazaki-Kariwa.
“Se um terremoto coincidir com um acidente, a evacuação seria impossível”, alerta Ken Ofuchi, deputado da assembleia provincial, citando ainda o impacto das fortes nevascas no inverno. (Com informações da Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo)