Quarta-feira, 04 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 3 de fevereiro de 2026
Em outubro de 2016, Jeffrey Epstein, o empresário e investidor americano que foi acusado de uma série de crimes sexuais e morreu na prisão em 2019, manifestou interesse em uma possível negociação para comprar uma agência de modelos brasileira, com o objetivo de “ter acesso a garotas”. A informação aparece numa troca de mensagens de Epstein entre os três milhões de novos arquivos tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Nos e-mails, mostra reportagem de O Globo, um associado de Epstein envia ao empresário um relatório sobre três agências brasileiras de modelo, com sugestões e detalhes de como poderia ser feita a transação com cada uma delas. A resposta de Epstein é um pedido para que um acordo de confidencialidade fosse assinado com a Ford Models, a fim de dar início à negociação. CEO da Ford Models, Decio Restelli Ribeiro diz que não se recorda da negociação, que a Ford nunca esteve à venda e que não tem nenhuma relação com Jeffrey Epstein.
A conversa que fala da possibilidade de compra da agência é apenas uma entre Epstein e um homem identificado como Ramsey Elkholy – nome que aparece em centenas das trocas de mensagens com o empresário, enviando fotos ou marcando horários de encontros com mulheres de várias nacionalidades. Num e-mail datado de 2 de outubro de 2016, Elkholy apresenta a Epstein informações sobre possíveis parceiros no Brasil para um concurso de modelos ou para sociedade em uma agência. São citadas as agências de modelos Elite, Ford Models e L’Équipe, três das maiores do mercado. Também é citada a revista Harper’s Bazaar.
“Caipiras”
Em várias partes da mensagem, Elkholy comenta as intenções de Epstein. “Presumo que você está mais interessado no acesso a (ele usa um emoji de uma garota)”, diz, sobre a Ford Models. O associado do empresário também pondera sobre escolher entre as agências Ford e Elite: “(Com a Ford), há muitas oportunidades para conhecer modelos, mas acredito que não o mesmo acesso direto do concurso (da Elite), onde as garotas são majoritariamente caipiras sem experiência.”
Na mesma mensagem, Elkholy explica o que seria o concurso da Elite, uma espécie de peneira para meninas entrarem no mundo da moda. “Isso implicaria ter acesso a todas as garotas, e você poderia decidir o que fazer com elas. É raro a vencedora desses concursos alcançar o estrelato; geralmente é outra garota que passou despercebida, e é por isso que eu gosto disso — para você, quero dizer. Basicamente, você poderia levar essas garotas para qualquer lugar nos EUA (existe uma agência brasileira que cuida dos vistos americanos), ou para Paris ou para o Caribe.”
Concurso de modelos
Na mensagem, o associado do empresário conta que custaria a Epstein cerca de US$ 250 mil para fazer no Brasil um concurso como o Elite Model Look e que enviou um PDF com mais informações. Diz, também, que encontrou com os dois organizadores principais, “que são olheiros de concursos bem conhecidos no Brasil”, mas não cita nomes.
Elkholy também menciona uma terceira agência, a L’Equipe, que, segundo ele, seria “menor e administrada por apenas uma mulher”. Ele diz que viu os números da empresa e que ela valeria cerca de US$ 1,5 milhão. “Ela não investiu muito em olheiros nos últimos anos, então é aí que vejo o maior potencial de crescimento”, diz a mensagem.
Por fim, Elkholy conta que a revista Harper’s Bazaar o “interessa muito” e que espera os resultados de uma auditoria para saber qual seria um preço justo pela participação no negócio.
O remetente do e-mail a Epstein, Ramsey Elkholy é músico e produtor, um dos fundadores do coletivo Monotronic, já identificado em outros documentos do caso divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA como olheiro e recrutador de modelos para Epstein. Uma reportagem do jornal americano The Wall Street Journal afirmou que os dois foram apresentados por uma namorada do investidor.
Brasileiras
Há mensagens entre os dois em que mulheres brasileiras são citadas. Em 13 de junho de 2010, por exemplo, o associado enviou seis imagens ao empresário: “Esta é Juliana, uma garota brasileira de 21 anos que eu vou levar para NY amanhã, muito sexy, pele incrível… Você estará na cidade segunda, terça ou quarta?”. Em outra mensagem, esta de 8 de junho de 2014, Elkholy falou a Epstein: “Lesley me escreveu e sugeriu terça, às 18h, e vai tentar trazer uma garota brasileira.” O bilionário teve uma assistente executiva chamada Lesley Groff, mas na troca de e-mails não fica claro quem seria a Lesley mencionada.
Nas novas mensagens divulgadas — um lote de arquivos sobre o caso Jeffrey Epstein com cerca de três milhões de páginas, 2 mil vídeos e 180 mil imagens —, o nome completo de Ramsey Elkholy aparece 2.267 vezes. Em várias, são citados encontros com mulheres. Em algumas, fotos de modelos de biquíni são enviadas a Epstein. (Com informações de O Globo)