Terça-feira, 03 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 2 de fevereiro de 2026
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) denunciou à Justiça um ex-jogador do Juventude por manipulação de competição esportiva e lavagem de recursos. A fraude teria sido envolvido jogos do Campeonato Brasileiro de 2025, quando a equipe de Caxias do Sul (Serra Gaúcha) disputava a Séria A.
De acordo com denúncia formulada pelo promotor Manoel Figueiredo Antunes, o atleta atuou em esquema de manipulação de apostas, além da ocultação de valores superiores a R$ 1,9 milhão obtidos de forma ilícita. A investigação se dá no âmbito da operação denominada “Totonero”.
Embora o nome do envolvido não seja mencionado pelo site mprs.mp.br, sabe-se que a manipulação foi cometida por um atacante hoje atuando em outro time de projeção nacional. Ele é investigado no âmbito da operação denominada “Totonero”.
O promotor relata que o atleta solicitou ou aceitou vantagem patrimonial para, de forma deliberada, receber cartões amarelos em duas partidas do Brasileirão – nos dias 29 de março de 2025, em Caxias do Sul, e outra em 10 de maio de 2025, em Fortaleza (CE). Antes dos duelos em campo, houve aumento anormal de apostas na modalidade “cartão de jogador”, indicando que os apostadores tinham conhecimento prévio das punições autoforçadas.
Ainda de acordo com o Gaeco, o jogador recebeu valores expressivos de empresas ligadas à exploração de apostas esportivas (as chamadas “bets”), os quais foram posteriormente ocultados e dissimulados por meio de movimentações bancárias incompatíveis com sua renda lícita e declarada.
“Além disso, requeremos o compartilhamento de todas as provas com a Polícia Federal para apuração de eventuais crimes conexos de caráter interestadual”, acrescentou Antunes.
Ofensiva
A operação foi deflagrada pelo 5º Núcleo Regional do Gaeco, na Serra, em maio do ano passado, no contexto de um procedimento investigatório criminal instaurado a partir de informações encaminhadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Também colaboraram entidades internacionais de monitoramento da integridade das apostas esportivas.
Foram cumpridos dois mandados de busca, um na casa do atleta e outro no Estádio Alfredo Jaconi (sede do Juventude), tendo como alvo o armário de uso pessoal do atleta quando ainda atuante pelo clube alviverde. A ação teve por finalidade apurar a manipulação de mercados secundários de apostas, especialmente relacionados à aplicação de cartões em partidas da Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro.
Durante a fase ostensiva da operação, também foi deferida uma série de medidas cautelares. A lista abrange quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático, que subsidiaram a denúncia agora apresentada pelo Gaeco do MPRS.
(Marcello Campos)