Sexta-feira, 08 de maio de 2026

Juíza de comarca no RS morre aos 34 anos, após procedimento em clínica de fertilidade

Está marcado para as 10h desta sexta-feira (8) em Mogi das Cruzes (SP) o sepultamento do corpo da juíza Mariana Francisco Ferreira, 34 anos, da Comarca de Sapiranga (Vale do Sinos). Ela faleceu na noite de quarta,  devido a complicações de uma operação para coleta de óvulos para fertilização “in vitro” em clínica de reprodução assistida na cidade paulista.

Preliminarmente, a Polícia Civil trabalha com as hipóteses de morte suspeita e morte acidental. Os investigadores agora tentam esclarecer se o óbito foi motivado por falha de atendimento ou reação da paciente ao procedimento.

O boletim de ocorrência relata que Mariana se submeteu à microcirurgia na manhã de segunda-feira (4) e já havia recebido alta quando passou a apresentar fortes dores e calafrios. Sem sinais de melhora, foi então reconduzida pela mãe até a clínica, onde os médicos constataram hemorragia.

A equipe então providenciou sutura vaginal, seguida de encaminhamento a um hospital da região no fim da tarde, já com um quadro geral que exigiu internação em unidade de terapia intensiva (UTI). Uma nova cirurgia foi realizada na noite de terça, sem impedir que a estado se agravasse durante a madrugada: após duas paradas cardiorrespiratórias e tentativas de reanimação, a magistrada teve o óbito atestado às 6h.

Solteira e nascida em Niterói (RJ), Mariana Francisco Ferreira ingressou em dezembro de 2023 no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS). O órgão decretou luto oficial de três dias pela perda de sua integrante, enaltecida como profissional “zelosa na apreciação de causas” e “comprometida com a efetividade das decisões”.

A Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajurir), por sua vez, publicou nota de pesar. No texto, a entidade descreve a morte como “perda precoce e que enluta a magistratura gaúcha”.

Clínica se manifesta

Procurada pela imprensa paulista, a clínica de Mogi das Cruzes onde Mariana passou pelo procedimento garantiu ter prestado todo o atendimento emergencial necessário, incluindo encaminhamento da paciente a unidade hospitalar adequada. Também fez a ressalva de que todo procedimento cirúrgico “possui riscos de intercorrências”. Confira, a seguir, a íntegra do comunicado:

“Desde os primeiros sinais de intercorrência, toda a equipe médica e assistencial adotou imediatamente os protocolos técnicos e medidas cabíveis, prestando o atendimento emergencial necessário dentro da clínica e providenciando o encaminhamento da paciente à unidade hospitalar adequada para continuidade da assistência médica especializada, sempre com o acompanhamento da nossa equipe e do médico responsável pelo procedimento.

Todo procedimento cirúrgico dessa natureza, ainda que realizado com observância dos protocolos técnicos, acompanhamento especializado e estrutura adequada, possui riscos inerentes e intercorrências possíveis, infelizmente. A clínica sempre atuou dentro das normas técnicas e regulatórias, mantendo estrutura, equipe e procedimentos regularizados e aptos ao exercício das atividades.

Desde o primeiro momento, foram prestados acolhimento, apoio e assistência aos familiares da paciente, em respeito à dor enfrentada neste momento extremamente delicado. Toda a equipe lamenta profundamente o ocorrido, solidariza-se com familiares e amigos e reafirma seu compromisso com a ética, responsabilidade profissional, transparência e segurança no atendimento dos pacientes. Todos os profissionais estão colaborando com as autoridades para o esclarecimento do ocorrido, preservando-se neste momento o sigilo médico e o respeito à paciente e sua família.”

(Marcello Campos)

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