Quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Juros altos criam ambiente desfavorável para a indústria produzir, afirma a Fiergs

A decisão de manter a taxa básica de juros em 15% ao ano, tomada pelo Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central na quarta-feira (28), “representa mais um dos muitos obstáculos enfrentados pelo setor produtivo, que já opera com margens pressionadas, confiança em baixa e dificuldades para investir”, afirmou a Fiergs (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul).

Segundo o presidente da entidade, Claudio Bier, a última Sondagem Industrial divulgada pela Fiergs mostrou que os juros elevados seguem entre os principais entraves à atividade do setor, ao lado de problemas estruturais, como carga tributária e demanda interna insuficiente.

Bier destacou também que manter a Selic em patamar tão elevado restringe o acesso ao crédito, desestimula o investimento e compromete a retomada da atividade industrial.

“Reconhecemos que o Banco Central atua dentro dos limites que lhe cabem, diante de um cenário ainda marcado por fortes incertezas fiscais e expectativas de inflação desancoradas. A raiz do problema está na ausência de sinais mais claros de responsabilidade com as contas públicas por parte do governo federal. Sem uma âncora fiscal confiável, não há ambiente para redução sustentada dos juros e, com isso, não se cria condição favorável para a indústria produzir”, afirmou Bier. Para ele, é fundamental reequilibrar essa equação para que o País volte a crescer com segurança e com o protagonismo da indústria.

Fecomércio

A Fecomércio-RS (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio Grande do Sul) ressaltou que a decisão do Copom já era esperada. “Sem surpresas, o Copom decidiu pela manutenção da Selic em 15% ao ano. Com isso, operamos atualmente com uma taxa de juros real em cerca de 11% ao ano. A questão central que a sociedade precisa se colocar diz respeito às razões estruturais que explicam a persistência de juros tão elevados no Brasil. A resposta reside, fundamentalmente, no desequilíbrio crônico das contas públicas, somado à crescente participação do crédito direcionado no sistema financeiro. Em 2026, estima-se que cerca de 1 ponto percentual do crescimento decorra de impulsos fiscais ou parafiscais promovidos pelo governo federal. Paralelamente, a dívida pública aproxima-se de 80% do PIB, apresentando uma trajetória de crescimento incompatível com a sustentabilidade intertemporal das contas públicas. O absurdo decorre do fato de que as metas fiscais têm sido cumpridas. O custo desse arranjo é a manutenção de juros estruturalmente elevados, que comprometem o investimento e a atividade produtiva no País. Adicionalmente, o crédito direcionado, que representava 40,2% do total do saldo de crédito em dezembro de 2022, alcançou 42,8% em novembro de 2025. Essa expansão reduz a eficácia dos instrumentos tradicionais de política monetária, exigindo taxas básicas mais elevadas para produzir o mesmo efeito contracionista. No médio e longo prazo, isso reforça a tendência de juros persistentemente altos na economia brasileira”, avaliou o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn.

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