Quarta-feira, 22 de maio de 2024

Justiça de Belo Horizonte determina liberdade de delegada que ficou 31h trancada em apartamento

A delegada da Polícia Civil Monah Zein, de 38 anos, que ficou trancada mais de 31h no próprio apartamento enquanto negociava com policiais, teve a liberdade provisória determinada pela Justiça. A decisão foi tomada pela juíza Juliana Pagano, da Central de Flagrantes de Belo Horizonte. A audiência de custódia foi realizada no Fórum Lafayette e durou cerca 20 minutos. O caso seguirá em segredo de Justiça.

Em conversa com a imprensa, o advogado Bruno Correia, um dos representantes de Monah, disse que tanto a promotora de justiça quanto a juíza acolheram a argumentação da defesa. Uma estratégia utilizada pelos advogados de Monah foi alegar que os disparos da delegada foram dados para se defender. “É notório que ela foi pressionada, que ela agiu em legítima defesa. Isso foi explicado na audiência. E a juíza acolheu todos os pedidos”, argumenta.

Conforme Bruno, Monah Zein continua como delegada da Polícia Civil de Minas Gerais e segue com o porte de armas normalizado, apesar de ter entregue uma das armas durante as negociações com os policiais. Ele diz que vai haver um processo por suposta tentativa homicídio contra a delegada. Bruno Correia também avalia que é temerário antecipar a tese de defesa que será adotada no processo.

A delegada Monah Zein teve prisão preventiva decretada na tarde da última quinta-feira (23 de novembro), por tentativa de homicídio. Desde então, ela estava com escolta policial em um hospital da rede particular da capital mineira. A partir da decisão não terá mais escolta – ela foi transferida para outra unidade de saúde na noite de quinta-feira (23 de novembro).

A defesa da advogada aguarda a publicação do alvará para que a decisão seja cumprida. A expectativa é de que isso ocorra até o fim da tarde desta sexta-feira (24). “Assim que o alvará for publicado e baixado, a escolta tem que sair”, concluiu o advogado.

Procurada pela reportagem, a Polícia Civil de Minas Gerais disse que a decisão da Justiça será cumprida “tão logo a instituição seja notificada”.

Segredo de Justiça

Além de conceder liberdade a Monah Zein, a Justiça também determinou segredo de justiça para o processo da delegada. Conforme o advogado Bruno Correia, a decisão atendeu um pedido dos advogados da servidora, que considera a medida uma forma de preservar a cliente. Segundo ele, a Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais havia disponibilizado documentos sobre o caso no sistema judiciário de forma pública.

“Ali existiam documentações pessoais e profissionais da autoridade policial (Monah). A juíza imediatamente acolheu nossa petição e deferiu o segredo dos documentos que foram inseridos pela Corregedoria na plataforma eletrônica do Judiciário de forma pública”, detalha.

Família abalada

Bruno Correia também falou sobre como está a família de Monah Zein com a situação. Ele afirma que a equipe de advogados da delegada está buscando ter cuidado para tratar do assunto com os parentes da mulher. O defensor revela que a família está “muito triste e muito abalada”.

“A mãe está passando por um momento muito delicado. O pai também”, relata. Questionado sobre o estado de saúde de Monah, Bruno disse que ela está “em observação”.

O caso

Os policiais chegaram ao endereço da delegada por volta das 9h desta terça-feira (21) e subiram as escadas do prédio equipados com escudos de proteção. Houve um contato entre a policial e os demais agentes, que tentaram disparar um taser contra ela.

A mulher, em seguida, teria efetuado pelo menos três disparos, sem atingir nenhum policial. Desde então, ela se trancou no apartamento e ficou incomunicável. A informação sobre os tiros foi confirmada pela Polícia Civil em nota, que pode ser lida na íntegra ao término da reportagem.

A servidora realizou uma live durante a tarde de terça, mostrando parte da abordagem e da negociação feita pelos policiais. Na transmissão, ela acusou vários servidores da Polícia Civil de assédio. “Eles tiraram minha saúde, vocês não têm ideia do que fizeram. Foi torpe, foi vil”, disse. Ela afirmou ainda que a entrada dos policiais em seu prédio é uma violação. “Eles não têm mandado [judicial]. Agora, eu que estou presa em cativeiro”, continuou.

Monah relatou, durante o vídeo, que deveria ter voltado para o serviço nesta terça-feira (21). No entanto, não quis comparecer à delegacia. “Isso é um absurdo, eles tiram a minha vida e vêm aqui. Trabalho para pagar psiquiatra e advogado”, disse. Monah esclareceu que, em nenhum momento, disse que tiraria a própria vida. “Não tenho coragem de tomar banho [por ter medo do meu apartamento ser invadido], querem que eu entregue minha arma. Como vou ficar aqui desarmada?”, questionou.

Durante a noite, em um post nas redes sociais, ela afirmou a Polícia Civil transformou a situação em um “teatro adoecedor”. Ela também criticou a presença dos policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) à porta de sua casa, negou ter pensado em cometer suicídio e acusou a instituição de assédio.

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