Quinta-feira, 05 de março de 2026

Lembranças que ficaram (59): restos mortais de Alberto Pasqualini

Depois da esperada eleição de Getúlio Vargas para a Presidência da República em 1950, onde o movimento que foi chamado de “queremismo” o elegeu, derrotando Eduardo Gomes, Cristiano Machado e João Mangabeira, na qual Alberto Pasqualini teve decisiva participação, em 1952 com uma vaga aberta para o cargo de Senador pelo RS, e concorrendo com Plínio Salgado e Décio Martins Costa, foi Alberto Pasqualini eleito Senador pelo RS e como tal, desde logo mostrou sólida presença no Senado Federal.

João Goulart, então Presidente do PTB pediu à Pasqualini para escrever e estabelecer os princípios políticos do PTB o que fez com brilhantismo e lhe valeu o título inequívoco de “grande teórico do trabalhismo”, por demais merecido.

Responsável e dedicado por natureza, espírito e educação, moldados pela família e pela disciplina metódica e severa no Seminário em São Leopoldo, onde foi aluno do famoso Padre Reus – eu sei disso porque anos depois fui amigo de dois seus ex-colegas de aula, um Médico, Dr. Amadeu Ferreira Weimann e outro o Padre Pio José Busanello – ele se concentrava com absoluta dedicação a encontrar solução para as crises políticas, socioeconômicas e culturais do País.

Ele, que já trazia profundas marcas de 2 campanhas para Governador do Estado que perdeu – uma em 1947 para Walter Jobim e outra em 1954 para Ildo Meneghetti – com a morte de Getúlio Vargas e a crise institucional que se seguiu, foi demais para seu corpo que, não resistindo as pressões, em 1956, foi vítima de um forte AVC que o levou ao leito, donde não mais se ergueu, vindo a falecer em 3 de junho de 1960. Estive no enterro dele no Rio e, no cemitério, depois do Brizola e Fernando Ferrari, discursei em nome dos Estudantes Gaúchos, exaltando, especialmente, o grande Professor que ele era.

Entre seu acidente vascular e sua morte, 4 anos se passaram e nesse meio tempo nomes como de Leonel Brizola, Fernando Ferrari, Paulo Brossard, Hélio Carlomagno, Guido Mondim, Alberto Hoffmann, João Goulart, Ademar de Barros, Marechal Lott, Jânio Quadros e outros, despontavam no cenário do RS e do Brasil.

Leonel Brizola, briguento e ambicioso, querendo e sonhando com a Presidência da República e Fernando Ferrari, então Deputado prestigiado e bem quisto, sonhando com a governança do Estado ou posições ainda mais altas, nada satisfeito com “manobras escusas” de “negociações políticas” que condenava e que dizia que Brizola aprovava e defendia, brigou com Brizola e criou o chamado “Movimento Trabalhista Renovador” com a sigla MTR e se posicionou com a pregação de um novo trabalhismo que dizia ser mais limpo, honesto e alinhado aos ideais de Getúlio Vargas, enquanto Brizola já se alinhava aos movimentos sindicalistas e ao que chamava de “Reformas de Base”, sintonizando com o advogado meio cangaceiro Francisco Julião, que em Pernambuco liderava um movimento revolucionário que chamou de “Ligas Camponesas”, fã de Fidel de Castro.

No enterro de Alberto Pasqualini, Brizola em seu discurso disse que queria “os restos mortais de Alberto Pasqualini”, mas profundamente envolvido na campanha para a eleição Presidencial onde os cargos de Presidente e Vice corriam independentes, com Jânio Quadros pelo PTN, Henrique Teixeira Lott pelo PSD e Ademar de Barros pelo PSP, para Presidência e João Goulart pelo PTB, Milton Campos pela UDN e Fernando Ferrari pelo PDC para Vice-Presidência – e a eleição seria em outubro – Brizola estava por demais encanzinado lutando desesperadamente para eleger Jango e derrotar Fernando Ferrari, “esqueceu” dos “restos mortais de Pasqualini”. Jango foi eleito Vice e Brizola nem bem comemorou e Jânio que recém assumira, renuncia e a baderna política se instalou. Vem a Legalidade, o Parlamentarismo e o entra e sai de 1ºs Ministros, o Plebiscito e a campanha para Governador. Ildo Meneghetti se elege no RS, Brizola se elege Governador do Rio de Janeiro, Fernando Ferrari no exercício de Deputado Federal, morre no dia 25 de maio de 1963 num acidente de avião… e… então 1964… e o assunto “restos mortais” caiu no esquecimento e nunca mais ouvi alguém falar nisso. Até agora. Fiquei sabendo recentemente (até me procuraram – Fev.2026) que pessoas e políticos de IVORÁ, estão providenciando trazer os restos mortais lá do Rio, onde ele foi enterrado. Para IVORÁ é uma honra e um dever ter seu tão nobre filho em sua terra. A REFAP – Refinaria Alberto Pasqualini da Petrobras, em Canoas – RS é um local onde sempre será lembrado.

* Luiz Carlos Sanfelice – lcsanfelice@gmail.com

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