Segunda-feira, 09 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 8 de fevereiro de 2026
Um líder do Hamas, Khaled Meshal, afirmou neste domingo (8) que o movimento islamista palestino não renunciará às suas armas e rejeitará qualquer domínio estrangeiro na Faixa de Gaza, apesar dos pedidos de desarmamento por parte de Israel e Estados Unidos.
“Criminalizar a resistência, suas armas e aqueles que a realizaram é algo que não devemos aceitar”, declarou Meshal em uma coletiva em Doha, acrescentando que o armamento do Hamas é parte integrante da “resistência” contra Israel nos territórios palestinos.
“Enquanto houver ocupação, há resistência. A resistência é um direito dos povos sob ocupação. É algo do qual as nações se orgulham”, declarou o ex-chefe do gabinete político do grupo islamista, que atualmente dirige o escritório da diáspora do movimento.
O Hamas travou uma luta armada contra o que vê como a ocupação israelense dos territórios palestinos. O grupo lançou um ataque transfronteiriço mortal contra Israel a partir de Gaza em 7 de outubro de 2023, o que desencadeou a guerra mais recente.
Após o cessar-fogo de 10 de outubro, o plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para pôr fim definitivo à guerra entre Israel e Hamas entrou, em meados de janeiro, na sua segunda fase, que prevê o desarmamento do movimento e a retirada progressiva do Exército israelense de Gaza.
Mas o Hamas, que governa o território desde 2007, faz do seu desarmamento uma linha vermelha, embora sem descartar entregar suas armas a uma futura autoridade palestina. Segundo dirigentes israelenses, o movimento islamista ainda dispõe de 20 mil combatentes e de dezenas de milhares de armas em Gaza.
O governo do território, devastado por dois anos de guerra, deverá ser confiado, em uma fase transitória, a um comitê de 15 tecnocratas palestinos, sob a autoridade do chamado “Conselho de Paz”, presidido por Trump. Neste domingo, Meshal fez um apelo a esta entidade para que adote uma visão “equilibrada” que facilite a reconstrução de Gaza e o fluxo de ajuda humanitária, ao mesmo tempo que advertiu que o Hamas não aceitará uma “dominação estrangeira”.
Um comitê tecnocrático palestino foi criado com o objetivo de assumir a governança cotidiana na castigada Faixa de Gaza, mas permanece incerto se, ou como, tratará a questão da desmilitarização. (Com informações do jornal O Globo)