Sábado, 17 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 16 de janeiro de 2026
Onze dias após a Polícia Federal (PF) apreender R$ 470 mil em dinheiro vivo em sua residência, o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara dos Deputados, registrou em cartório a venda de um imóvel que, segundo ele, seria a origem do valor apreendido. O caso foi revelado pela Folha de S.Paulo e integra um conjunto de informações que passaram a ser analisadas no âmbito de uma investigação em curso.
De acordo com o registro cartorial, a transferência do imóvel — um apartamento localizado em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro — foi formalizada no dia 30 de dezembro. A apreensão do dinheiro, no entanto, ocorreu anteriormente, em 19 de dezembro, durante uma operação da Polícia Federal. A diferença de datas chamou a atenção dos investigadores e foi destacada na reportagem.
Em manifestação à imprensa, Sóstenes Cavalcante afirmou que a venda do apartamento foi concluída em 24 de novembro, quando teria sido assinado um contrato particular com o comprador. Segundo o deputado, esse acordo previa que a transferência da escritura poderia ser realizada até o fim de 2025, o que explicaria o fato de o registro em cartório ter ocorrido após a apreensão do dinheiro. Ele declarou ainda que pretende apresentar esse contrato como parte de sua defesa no Supremo Tribunal Federal (STF), onde o caso é relatado pelo ministro Flávio Dino.
O comprador do imóvel foi identificado como o advogado Thiago de Paula, que teria pago R$ 500 mil em dinheiro vivo pelo apartamento. Conforme dados da escritura, Sóstenes adquiriu o imóvel em 2023 por R$ 280 mil. O deputado atribui a diferença de valor a uma valorização decorrente de reformas realizadas no apartamento ao longo do período em que foi proprietário.
O parlamentar, no entanto, apresentou uma versão alternativa sobre o valor efetivamente pago na compra inicial. Segundo ele, o preço do imóvel teria sido de R$ 310 mil, e a diferença em relação ao valor registrado corresponderia à comissão do corretor envolvido na transação. Essas informações deverão ser analisadas no âmbito do processo que tramita no STF.
A apreensão do dinheiro ocorreu durante uma operação da Polícia Federal que apura suspeitas de desvio de cotas parlamentares. Além de Sóstenes Cavalcante, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) também foi alvo de mandados de busca e apreensão no mesmo inquérito, que segue em andamento.
Na ocasião da apreensão, Sóstenes afirmou que não havia tido tempo de depositar o dinheiro em uma instituição bancária. Ele também declarou que, em cidades do interior, é comum realizar transações e circular com grandes quantias em dinheiro vivo. As explicações apresentadas pelo deputado fazem parte do material que será avaliado pelas autoridades responsáveis pela investigação. (Com informações do Correio Braziliense)