Segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Líder supremo do Irã ameaça “quebrar espinha” de manifestantes

O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou que as autoridades têm a obrigação de “quebrar a espinha dorsal dos sediciosos” e voltou a responsabilizar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelas mortes na repressão à recente onda de protestos.

“Não pretendemos levar o país à guerra, mas não perdoaremos os criminosos domésticos”, disse Khamenei a apoiadores durante um discurso transmitido pela televisão estatal no sábado (17). Ele acrescentou que “criminosos internacionais” tampouco serão poupados de punição.

“Pela graça de Deus, a nação iraniana deve quebrar a espinha dorsal dos sediciosos, assim como quebrou a espinha da sedição”, afirmou.

A atual onda de protestos no Irã começou em 28 de dezembro. Os atos se espalharam por todas as províncias do país e se transformaram na mais séria ameaça à teocracia desde sua instalação, em 1979.

As autoridades iranianas, que classificam os manifestantes de terroristas e acusam os EUA de instigá-los, têm respondido com uma repressão violenta. Segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, ao menos 3.428 pessoas morreram. O número real, porém, pode ser maior.

O canal oposicionista Iran International, estabelecido fora do país, divulgou que pelo menos 12 mil pessoas morreram. O número, que teria sido obtido com autoridades de segurança, não pôde ser verificado de forma independente. O regime não informa a quantidade de mortes.

Khamenei aproveitou sua fala neste sábado para alfinetar Trump, que ameaça atacar o país. O republicano amenizou o discurso na quinta (16), ao dizer que tinha sido informado de que as mortes estavam diminuindo. Ele manteve pressão, entretanto, ao mobilizar dois grupos de porta-aviões, que navegam na direção de posições de ataque ao Irã

“Consideramos o presidente dos EUA culpado pelas mortes, pelos danos e pelas acusações feitas contra a nação iraniana”, disse o aiatolá. “Tudo isso foi uma conspiração americana. O objetivo dos EUA é devorar o Irã.”

A repressão às manifestações gera crescente preocupação com o número de mortos, mas é difícil confirmar os dados exatos. Isso porque o governo impôs restrições à internet, limitando o fluxo de informações.

A organização Netblocks, que monitora cibersegurança, registrou no sábado uma “retomada muito leve” da internet no país, após mais de 200 horas de bloqueio quase total. “As medições mostram um aumento discreto na conectividade nesta manhã”, informou a entidade.

Ainda assim, o tráfego geral permanece em apenas 2% dos níveis normais, sem sinais de recuperação significativa.

Com o restabelecimento parcial das ligações telefônicas, iranianos no exterior começaram a receber mensagens curtas de familiares. Elas são breves por dois motivos: alto custo e medo de segurança. Há receio de que as autoridades interceptem as comunicações ou acusem os remetentes de espionagem. Com informações da Folha de S. Paulo.

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