Segunda-feira, 13 de abril de 2026

Lideranças do PT fazem pressão para que o atual presidente do Banco Central acuse seu antecessor, Roberto Campos Neto, de ter cometido algum tipo de irregularidade em relação ao Banco Master

Lideranças do PT buscam trazer o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para o jogo eleitoral — com pressão para que ele acuse seu antecessor, Roberto Campos Neto, de ter cometido algum tipo de irregularidade em relação ao Banco Master. Galípolo evitou lançar suspeitas em relação a Campos Neto em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado.

No mesmo dia, as lideranças do governo no Congresso retiraram o apoio à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da autonomia administrativa, que estava sendo encaminhada para votação na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) publicou ontem na plataforma X, antigo Twitter, uma mensagem dizendo que Galípolo procurou “blindar” Campos Neto, ao afirmar que não havia sido constatada nenhuma irregularidade sobre suas decisões no caso do Banco Master nas apurações e sindicâncias internas realizadas pelo Banco Central.

Lindbergh acusou o Banco Central de corporativismo e disse que a suposta compra de dois funcionários da área de supervisão da instituição não teria sido revelada se não fosse o trabalho externo da Polícia Federal.

Na realidade, os indícios de irregularidades contra o ex-chefe do Departamento de Supervisão (Desup), Belline Santana, e o subchefe do mesmo departamento e ex-diretor de fiscalização, Paulo Souza, foram descobertos a partir de uma sindicância interna — e comunicados à PF, que seguiu com as apurações.

Campos Neto é alvo de setores do PT porque, mesmo como presidente do Banco Central, não se desvinculou o suficiente do ex-presidente Bolsonaro — nas eleições, ele foi ao local de votação com a camisa da seleção brasileira, numa associação política que dirigentes do Banco Central costumam evitar.

Apesar da demonstração política, Campos Neto foi responsável por uma alta na taxa Selic de 11,75 pontos percentuais nos juros básicos da economia nos 18 meses antes das eleições de 2022 — algo que um banqueiro central que tivesse algum compromisso político teria evitado.

Lindbergh tem apontado alguns pontos que, segundo ele, merecem apuração mais detalhada. Um deles é o fato de a diretoria colegiada comandada pelo ex-presidente do BC Ilan Goldfajn ter recusado a compra do controle, por Daniel Vorcaro, do Banco Máxima, que depois seria rebatizado como Banco Master — e, meses depois, a operação ter sido autorizada por uma diretoria de Campos Neto.

O parlamentar também questiona o fato de que, sob a administração de Campos Neto, as captações do Master junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cresceram de maneira vertiginosa, chegando a R$ 60 bilhões.

Galípolo, no depoimento, lembrou que o Master era uma instituição classificada, para fins de supervisão, no nível S3, com ativos que correspondem a menos de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) e não representam risco sistêmico — por isso, sua fiscalização ocorre nos escalões mais baixos do BC, e não na alçada do presidente da instituição.

Dentro do Banco Central, o argumento é que Galípolo não poderia lançar acusações ou suspeitas contra Campos Neto que não fossem fundamentadas em fatos concretos, como eventuais conclusões de sindicâncias e outras apurações internas do BC.

De fato, se lançasse suspeitas não fundamentadas, o Banco Central estaria entrando no jogo político — e isso seria um dano para a sua credibilidade. As decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre eventuais baixas de juros nos próximos meses também poderiam ser vistas como politicamente motivadas, para ajudar o presidente Lula em um ano de eleições presidenciais.

O prejuízo concreto para o BC é a ala política do governo ter barrado um projeto considerado essencial para a autoridade monetária reforçar a sua atuação na fiscalização e no combate a fraudes. Para dar um exemplo, os ataques aos sistemas do Pix exigem vigilância dia e noite de funcionários do BC, que não têm remuneração nem regime flexível de trabalho para isso.

Outro projeto de interesse do BC é a Lei de Resolução Bancária, que dará mais instrumentos para, por exemplo, fazer a limpeza do sistema de pagamentos, que foi infiltrado por alguns integrantes do crime organizado. Com informações do portal Valor Econômico.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Gestor antecipou esquema do Banco Master e diz estar quebrado
Um dos principais nomes da extrema direita no mundo não consegue a reeleição para presidir a Hungria
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play