Domingo, 15 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 14 de março de 2026
Em petição submetida na Corte de Falências do Distrito Sul da Flórida, a EFB Regimes Especiais de Empresas, que conduz a liquidação do Master, de Daniel Vorcaro, nos Estados Unidos, afirma que dinheiro desviado do banco foi para o pai, Henrique Vorcaro, e a irmã do banqueiro, Natalia Vorcaro Zette. O liquidante afirma que R$ 494,76 milhões foram desviados do banco por meio de empréstimos que não teriam sido pagos, venda de recebíveis supostamente sem valor e aportes em empresas ligadas à família de Vorcaro.
Parte dos recursos teria sido usada na compra de um imóvel avaliado em US$ 32 milhões na Flórida, segundo documento protocolado pelo liquidante. A denúncia é parte de uma ação judicial que busca rastrear bens de Vorcaro nos EUA, incluindo imóveis, obras de artes e outros ativos valiosos.
Em uma das frentes, a petição alega que Henrique e Natalia eram controladores indiretos da Terra Santa Administradora de Cemitérios e Imóveis, que recebeu aportes de dois fundos controlados pelo Master: um de R$ 78,2 milhões, em 2017, e outro de R$ 151,5 milhões, em 2019. Os recursos teriam origem no banco, mas sem apresentar um valor econômico equivalente, de acordo com a peça.
Ainda conforme os advogados do liquidante, Henrique Vorcaro usou empresas do setor de saúde para obter empréstimos de R$ 100 milhões com o Master em 2020 e 2021. A linha de crédito venceu em 2024 e 2025, mas nunca foi quitada e nem havia intenção de pagamentos, diz a peça.
A dívida teria sido, depois, transferida para o fundo Astralo, ligado à gestora Reag Investimentos — que, assim como o Master, também é alvo de investigação e viria a ser liquidada, depois de rebatizada para CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários.
No terceiro pilar da suposta fraude, um outro fundo pertencente ao Master teria comprado R$ 250 milhões em recebíveis da Simetria, empresa de Henrique Vorcaro. A venda teria sido por R$ 165 milhões, mas o liquidante afirma que os créditos eram de baixo ou nenhum valor, usados para transferir recursos a companhias da família.
Parte do dinheiro liquidado teria sido direcionado à Sozo Real Estate, uma empresa constituída na Flórida em setembro de 2022 que tinha Henrique como presidente e Natalia como vice-presidente, de acordo com a ação. Em fevereiro de 2023, a Sozo comprou uma propriedade em Windermere, na Flórida, por US$ 32 milhões, um valor recorde para casa unifamiliar na região. O objetivo seria deter o imóvel e ocultar sua titularidade benéfica. Depois das diligências do liquidante, tentaram uma venda acelerada da residência, conforme a petição.
Para evitar mais prejuízos, o liquidante pede à Justiça o bloqueio de qualquer tentativa de venda do imóvel, indenização por danos, reconhecimento de fraude e conspiração e a devolução do dinheiro desviado.
Transferências
Como parte de uma suposta fraude mais ampla, Daniel Vorcaro teria levado o Master a transferir direta ou indiretamente cerca de R$ 2 bilhões para o fundo Astralo.
De acordo com o documento, em 2023, o Astralo fez aportes de quase R$ 1,5 bilhão para a Super Empreendimentos e Participações, além de um contribuição de R$ 400 milhões para a Moriah Asset Management, ambas controladas por Fabiano Zettel, marido de Natalia Vorcaro.
Outro veículo para o desvio seria o fundo Dublin, que teria recebido ao menos R$ 495 milhões do Master e transferido parte do dinheiro para seu único cotista, a Jaguar Investments Horizon, empresa registrada no Estado americano de Delaware em benefício de Daniel Vorcaro, segundo o liquidante.
O liquidante do Banco Master contestou o pedido do ex-controlador da instituição, Daniel Vorcaro, para barrar o rastreio de bens do banqueiro nos Estados Unidos. A petição é parte de um processo mais amplo que reconhece a liquidação do banco na Justiça americana.
Pedido negado
Em documento protocolado, a defesa do liquidante apresentou ao Tribunal de Falências do Sul da Flórida a resposta a duas medidas protetivas apresentadas por Vorcaro ao longo das últimas semanas. Segundo os advogados, ao reconhecer os efeitos da liquidação do Master, a Corte autorizou expressamente a coleta de provas nos EUA.
A peça jurídica alega ainda que o empresário não teria legitimidade para questionar as intimações, porque não é o destinatário direto. Argumenta também que a investigação de patrimônio de Vorcaro no exterior é “parte natural” da função do liquidante.
“A petição de Vorcaro é uma tentativa transparente de proteger seus bens pessoais e seus assuntos financeiros dos legítimos poderes investigativos do Liquidante — poderes que este Tribunal autorizou expressamente em sua decisão de reconhecimento”, diz o documento. (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)