Terça-feira, 14 de abril de 2026

Livro sobre Guilherme Socias Villela reacende debate político

O lançamento do livro “O pensamento de Guilherme Socias Villela e o olhar de um cronista”, de Eduardo Battaglia Krause, recoloca em pauta, em Porto Alegre, um modelo de gestão pública baseado em planejamento, rigor técnico e responsabilidade fiscal. Publicada pela Bá Editora, com aproximadamente 200 páginas, a obra resgata a trajetória de um dos principais nomes da administração municipal gaúcha e propõe uma leitura crítica do cenário político contemporâneo.

Realizado no Centro Administrativo Municipal que leva o nome de Villela, o evento reuniu políticos, empresários e representantes do meio acadêmico, movimentando o espaço em plena noite de segunda-feira. A presença de lideranças como José Ivo Sartori e Celso Bernardi reforçou o caráter transversal de um legado que ultrapassa ciclos partidários e se ancora na ideia de gestão.

Prefeito de Porto Alegre entre 1975 e 1983, Villela atuou em um período em que prefeitos de capitais eram nomeados, e não eleitos, contexto que não impediu a consolidação de uma gestão marcada pelo planejamento e pela organização administrativa. Sua atuação esteve associada ao fortalecimento de uma lógica técnica no governo municipal, com foco na previsibilidade e na capacidade de execução.

No campo urbano, sua gestão se vinculou à valorização e qualificação de áreas públicas e espaços verdes, como o Parque Moinhos de Vento, o Parque Farroupilha e o Parque Marinha do Brasil, dentro de uma diretriz que buscava integrar crescimento urbano e preservação ambiental.

Na área fiscal, sua administração priorizou o equilíbrio das contas públicas e a previsibilidade orçamentária, criando bases para investimentos estruturantes. O perfil técnico, associado à formação em economia, consolidou Villela como referência em gestão voltada à execução e ao planejamento consistente.

O livro de Krause se afasta do formato biográfico tradicional. Ao reunir reflexões sobre o pensamento de Villela, constrói uma narrativa que dialoga com o presente. Em um ambiente político marcado por polarização e decisões de curto prazo, o resgate de um gestor identificado com planejamento e consistência funciona como contraponto.

Mais do que uma homenagem, a obra funciona como instrumento de análise. Ao revisitar uma experiência administrativa marcada pela coerência entre discurso e prática, expõe a distância entre formulação e entrega na política atual. Em um cenário de cobrança crescente por resultados, o resgate do pensamento de Villela recoloca no centro do debate uma questão incômoda: não basta planejar — é preciso entregar. (Por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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