Quarta-feira, 29 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 2 de março de 2024
Após ter perdido influência política no Ceará, o ex-ministro Ciro Gomes anunciou que tomará outros rumos profissionais, que nada tem a ver com mandatos eletivos: advogado de formação, ele voltará a atuar na profissão.
“Feliz de poder me associar como colaborador ao escritório Porto Advogados com história de mais de 80 anos e muito serviço prestado ao Brasil”, publicou em seu perfil no X (antigo Twitter).
Ciro é bacharel em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Ele já foi titular dos ministérios da Integração Nacional e da Fazenda, governador do Ceará, prefeito de Fortaleza, deputado federal e estadual.
Em 2022, o pedetista amargou seu pior desempenho em uma campanha à Presidência da República, quando obteve apenas 3% dos votos e ficou em 4º lugar. Ciro criticou o movimento para fazê-lo desistir de se candidatar nas últimas eleições. “Eu fui desistido. Não é bem que eu desisti, não”, disse.
Além dessa, ele também foi candidato em 1998, 2002 e 2018. O melhor desempenho dele foi em 2018, com 12,47% dos votos. Depois em 2002, quando obteve 11,97%. Já em 1998, alcançou 10,97%.
Em uma entrevista, ele disse que “dificilmente” voltaria a concorrer. “De repente senti: ‘caramba, tô fazendo isso sozinho’. E em nome de quê? Tenho êxito na política, só não consegui ser presidente do Brasil. Deus não quis”, afirmou, à época.
Briga de família
A mudança de ares profissionais de Ciro ocorre após um rompimento com seu irmão, o senador Cid Gomes. Os dois protagonizaram uma racha no ano passado, que causou uma debandada no PDT, por parte dos cidistas.
O conflito entre os irmãos começou quando seus grupos discordaram sobre quem seria o candidato a governador. Na ala de Cid, estava a ex-governadora Izolda Cela, a primeira a deixar o PDT quando os aliados de Ciro optaram pelo ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio, que terminou em terceiro lugar na disputa. O movimento não agradou a ala do senador que, se aproximou do atual governador Elmano de Freitas (PT).
Ao longo de 2023, o tensionamento escalonou diante da possibilidade de compor ou não com o PT. Ciro era a favor da oposição, enquanto Cid, de ser base. O ponto de ápice ocorreu em outubro, quando os dois quase chegaram as vias de fato durante uma discussão acalorada em um encontro partidário no Rio de Janeiro.