Quinta-feira, 25 de junho de 2026

Luana Piovani assinou contrato de R$ 300 mil com sindicato do Banco Central para criticar Proposta de Emenda à Constituição da autonomia financeira

O sindicato que representa servidores do Banco Central contratou por R$ 300 mil a atriz Luana Piovani para gravar um vídeo contrário à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que dá autonomia financeira e administrativa à instituição.

O pagamento foi autorizado pela direção do conselho regional do Sinal (Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central) no Distrito Federal. Após mostrar o envolvimento da artista no assunto, a Folha teve acesso à ata da reunião em que a contratação foi aprovada.

O encontro foi realizado virtualmente no início da tarde de 9 de junho, mesmo dia em que Piovani publicou o vídeo em sua conta no Instagram. A atriz utilizou a hashtag #publi, indicando o conteúdo pago, e marcou os perfis do Sinal Nacional e da regional DF do sindicato.

O sindicato que representa servidores do Banco Central contratou por R$ 300 mil a atriz Luana Piovani para gravar um vídeo contrário à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que dá autonomia financeira e administrativa à instituição.

O pagamento foi autorizado pela direção do conselho regional do Sinal (Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central) no Distrito Federal. Após mostrar o envolvimento da artista no assunto, a Folha teve acesso à ata da reunião em que a contratação foi aprovada.

O encontro foi realizado virtualmente no início da tarde de 9 de junho, mesmo dia em que Piovani publicou o vídeo em sua conta no Instagram. A atriz utilizou a hashtag #publi, indicando o conteúdo pago, e marcou os perfis do Sinal Nacional e da regional DF do sindicato.

“A presidente informou sobre a conversa com a profissional e seu alinhamento à posição defendida pelo sindicato, além do valor cobrado pela gravação de um vídeo e postagem no perfil oficial da atriz, esclarecendo que o pagamento somente seria realizado após deliberação deste conselho e apenas em caso de aprovação da proposta”, afirma o documento.

“A proposta da contratação foi colocada em votação com valor de até R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) pela campanha em questão”, acrescenta. Segundo a ata, a contratação e o limite financeiro foram aprovados com cinco votos favoráveis e uma abstenção.

Piovani foi procurada pela Folha de S. Paulo por mensagens diretas e por meio de sua equipe no Instagram, mas não houve resposta até a publicação deste texto. Na semana passada, quando procurada para outra reportagem sobre o tema, ela informou que não daria entrevista.

Após a publicação do texto, a atriz se manifestou na noite desta quinta-feira (25) em um vídeo temporário (“story”) no Instagram. Piovani ressaltou que o caráter publicitário da fala sobre a PEC do BC estava explícito em sua rede social, mas também disse concordar com o posicionamento contrário à proposta.

“É superimportante que todas as publicidades sejam óbvias que estão sendo publicidade. Isso é superimportante, para o consumidor saber. É isso, para vocês não ficarem assim, tão invejosinhos”, afirmou. “Talvez vocês não saibam, aí eu vou contar. Eu só vendo o que eu consumo, e eu só falo [sobre algo com] o que eu concordo. Eu não acho inteligente privatizarem o nosso Banco Central. Não gostou, deita na BR.”

Na semana passada, o Sinal havia negado pagamento à atriz. Procurada novamente nesta quarta, a entidade não respondeu aos questionamentos.

A Folha de S. Paulo teve acesso às atas de outras reuniões que também aprovaram valores para outras campanhas contrárias à PEC. Em 19 de fevereiro, o sindicato autorizou a contratação de um escritório de advocacia para elaborar uma nota técnica com foco nos pontos mais sensíveis para a categoria, pelo valor de R$ 250 mil.

Em 29 de maio, a direção da entidade aprovou a destinação de mais R$ 250 mil para ampliar a campanha contra a PEC, após avaliação de que “a campanha já veiculada em diferentes mídias teve excelente receptividade, alcançando resultados positivos em termos de visibilidade e engajamento”.

A PEC da autonomia financeira do BC foi aprovada em 10 de junho na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado e aguarda votação em plenário. Além de opor BC e Ministério da Fazenda, que defende proposta alternativa, a mudança abriu um racha entre os servidores da própria instituição.

No vídeo gravado para as redes, Luana Piovani aparece sentada com uma cristaleira ao fundo e em frente a uma mesa onde se vê um caderno aberto. Ela afirma que está naquele lugar porque é para onde vai quando precisa “ter aquele papo reto”.

A atriz diz então que vai falar sobre um assunto que ela mesma tem dificuldade de entender. “Por isso fiz umas anotações, inclusive tive que dar uma estudada e pedir ajuda aos universitários para poder estar aqui conversando com vocês”, diz.

“No Brasil resolveram criar a roda, estão querendo inovar, gente. Querem colocar o Banco Central independente do governo e sujeito a sofrer influências externas. Gente, isso não tem cheiro de perigo? Me parece um risco gigantesco”, afirma. Com informações da Folha de S. Paulo.

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