Sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Lucro da Rússia com o petróleo vai às alturas apesar das sanções

A invasão russa à Ucrânia ocasionou condenações por todo o mundo e duras sanções destinadas a abalar o cofre de guerra de Moscou. Ainda assim, a renda da Rússia com combustíveis fósseis, de longe seu maior produto de exportação, atingiu recordes nos primeiros cem dias de sua guerra contra a Ucrânia, ocasionados por lucros inesperados nas vendas de petróleo em meio a preços cada vez mais altos, segundo demonstra uma nova análise.

A Rússia ganhou 93 bilhões de euros, muito provavelmente um recorde, com suas exportações de petróleo, gás natural e carvão nos primeiros cem dias de sua invasão à Ucrânia, de acordo com dados analisados pelo Centro para Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo, uma entidade de pesquisa com base em Helsinki. Cerca de dois terços desses ganhos, o equivalente a cerca de US$ 97 bilhões, vieram do petróleo, e a maior parte do restante, do gás natural.

“O índice atual de lucro não tem precedentes, porque os preços não têm precedentes, e os volumes de exportação estão próximos aos níveis mais altos em seu registro”, afirmou Lauri Myllyvirta, analista que liderou a análise do instituto.

Exportações de combustíveis fósseis possibilitam de maneira crucial a movimentação militar da Rússia. Em 2021, a receita produzida somente pelo petróleo e pelo gás correspondia a 45% do orçamento federal da Rússia, de acordo com a Agência Internacional de Energia. A receita das exportações de combustíveis fósseis da Rússia supera o que o país está gastando em sua guerra na Ucrânia, estimou o centro de pesquisa, uma constatação preocupante enquanto o momento favorece a Rússia à medida que suas forças colocam o foco sobre importantes alvos regionais, em meio a faltas de armamentos entre os soldados da Ucrânia.

Autoridades ucranianas pediram que países e empresas cancelem completamente o comércio que mantêm com a Rússia.

“Estamos pedindo ao mundo que faça todo o possível para extirpar de Putin e sua máquina de guerra todo financiamento possível, mas isso está demorando demais”, afirmou de Kiev Oleg Ustenko, um dos conselheiros econômicos do presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, sobre o presidente russo, Vladimir Putin.

A Ucrânia também tem rastreado as exportações da Rússia, e Ustenko classificou os números apresentados pelo centro de pesquisa como estimativas conservadoras. Ainda assim, a constatação subjacente é a mesma, afirmou ele: os combustíveis fósseis continuam a financiar a guerra da Rússia.

“Conseguimos parar de importar caviar russo ou vodca russa, e isso é bom, mas definitivamente insuficiente. Precisamos parar de importar o petróleo russo”, afirmou ele.

Apesar de as exportações de combustíveis fósseis da Rússia terem começado a diminuir um pouco em volume à medida que mais países e empresas evitam negócios com Moscou, os preços em alta mais que compensaram os efeitos desse declínio. A pesquisa constatou que os preços das exportações da Rússia de combustíveis fósseis estiveram em média 60% mais elevados em relação ao ano passado, mesmo levando-se em conta o fato de que o petróleo russo está alcançando um preço cerca de 30% mais baixo em relação aos valores praticados no mercado internacional.

A Europa, particularmente, tem tido dificuldade para se livrar da energia russa, enquanto muitos países enviam ajuda militar à Ucrânia. A União Europeia avançou em reduzir suas importações de gás natural da Rússia, comprando 23% menos nos primeiros cem dias da invasão em comparação com o mesmo período no ano anterior. Ainda assim, o lucro da Gazprom, a gigante estatal russa de gás natural, foi o dobro em relação ao ano anterior graças aos preços mais altos do gás, constatou o Centro para Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo.

A UE também reduziu suas importações de petróleo russo, que diminuíram 18% em maio. Mas essa queda foi compensada pela Índia e pelos Emirados Árabes Unidos, deixando inalterado o volume de exportações russas, segundo constatou a pesquisa. Os indianos se tornaram importadores significativos do petróleo da Rússia, comprando cerca de 18% das exportações do país nesse período de cem dias.

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