Domingo, 12 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 12 de julho de 2026

Nesta segunda-feira (13/07), às 10h, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita o Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), em São Caetano do Sul (SP), para acompanhar os testes que avaliam a viabilidade técnica da ampliação da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel fóssil. A agenda marca uma etapa decisiva da Lei do Combustível do Futuro, que prevê metas de descarbonização e maior participação de biocombustíveis na matriz energética brasileira.
Atualmente, o Brasil adota a mistura de 15% (B15) de biodiesel ao diesel. O programa de testes coordenado pelo Ministério de Minas e Energia avalia percentuais superiores, entre B16 e B25, considerados estratégicos para embasar futuras decisões regulatórias. O presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), Jerônimo Goergen, participa da agenda e reforça que o setor já acumula experiências bem-sucedidas com misturas de até 20%, o que dá segurança para avançar.
“É muito importante a metodologia do programa de testes, que deve dissipar qualquer dúvida sobre a viabilidade do avanço da mistura até o B25. Já existem elementos suficientes para garantir a adoção segura de B16 e B17 o quanto antes”, afirma Goergen.
Produção e impacto econômico
O Brasil é hoje o terceiro maior produtor mundial de biodiesel, com capacidade instalada superior a 9 bilhões de litros por ano. Em 2025, a produção nacional ultrapassou 7 bilhões de litros, movimentando uma cadeia que envolve mais de 50 usinas ativas e milhares de agricultores. A soja responde por cerca de 70% da matéria-prima utilizada, seguida por gordura animal e óleo de algodão.
A ampliação da mistura obrigatória tem impacto direto na economia: aumenta a demanda por grãos, fortalece a cadeia de proteínas animais com maior oferta de farelo e reduz a dependência de importações de diesel fóssil. Além disso, gera empregos e estimula investimentos em inovação e logística.
Viés regulatório e institucional
A presença de Lula e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reforça o compromisso do governo com a transição energética. O Subcomitê de Avaliação da Viabilidade Técnica de Misturas de Altos Teores de Biocombustíveis, criado em outubro de 2025, coordena os estudos que subsidiarão a regulamentação da Lei do Combustível do Futuro.
A Aprobio, como colaboradora do projeto, defende previsibilidade regulatória e segurança jurídica para atrair investimentos e consolidar o biodiesel como ativo estratégico. O diálogo com o governo busca alinhar interesses econômicos, ambientais e sociais, garantindo que o Brasil avance de forma segura e competitiva.
Sustentabilidade e transição energética
Do ponto de vista ambiental, o biodiesel é peça-chave na redução de emissões de gases de efeito estufa. Estima-se que a substituição parcial do diesel fóssil por biodiesel já tenha evitado a emissão de mais de 80 milhões de toneladas de CO₂ desde a criação do programa nacional, em 2008. A ampliação da mistura obrigatória representa avanço significativo na transição para uma matriz energética mais limpa e sustentável.
A visita presidencial ao IMT coloca o biodiesel novamente no centro das discussões sobre energia e transporte. Para Lula, trata-se de alinhar governo e indústria em torno de um projeto que une competitividade, sustentabilidade e inovação. Para Jerônimo Goergen e a Aprobio, é a oportunidade de consolidar o setor como protagonista da transição energética brasileira, defendendo o avanço imediato para o B16 e B17 e preparando o terreno para misturas superiores como o B20 e B25. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)