Sexta-feira, 29 de maio de 2026

Lula chama Flávio Bolsonaro de “traidor” após encontro do senador com Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas nesta sexta-feira (29) ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a viagem do parlamentar aos Estados Unidos para reuniões políticas em Washington. Durante cerimônia de anúncio de investimentos da Petrobras em Sergipe, Lula acusou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro de agir contra os interesses nacionais ao buscar apoio do governo norte-americano em meio às recentes tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.

Sem citar diretamente detalhes da agenda do senador, o presidente afirmou que Flávio Bolsonaro teria ido ao país norte-americano para defender uma intervenção estrangeira em assuntos internos brasileiros.

“Não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria e ir para os Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, declarou Lula durante discurso no evento.

A fala ocorreu em meio à repercussão da decisão do governo dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas estrangeiras. O anúncio foi feito pelo Departamento de Estado norte-americano após reuniões envolvendo integrantes do governo Donald Trump e aliados do bolsonarismo.

Lula também fez referência histórica à Inconfidência Mineira ao comparar a atitude de Flávio Bolsonaro à de Joaquim Silvério dos Reis, conhecido por ter denunciado os inconfidentes à Coroa portuguesa no século XVIII.

“Joaquim Silvério dos Reis ficaria envergonhado”, afirmou o presidente.

A declaração elevou ainda mais a tensão política entre governo e oposição. Nos bastidores do Palácio do Planalto, integrantes do governo consideram que parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro têm incentivado medidas internacionais que podem gerar impactos econômicos e diplomáticos para o Brasil.

Aliados de Lula avaliam que a classificação das facções brasileiras como grupos terroristas pode abrir espaço para sanções financeiras, restrições comerciais e maior pressão internacional sobre instituições brasileiras. O tema passou a preocupar integrantes da equipe econômica e do sistema financeiro após alertas sobre possíveis efeitos semelhantes aos registrados em outros países da América Latina.

A viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos também gerou reações negativas entre governistas, que acusam a oposição de utilizar o cenário internacional para desgastar o governo Lula politicamente. Parlamentares governistas afirmam que questões relacionadas à segurança pública e ao combate ao crime organizado devem ser tratadas dentro das instituições brasileiras.

Por outro lado, aliados de Flávio Bolsonaro defendem que o diálogo com autoridades norte-americanas faz parte da cooperação internacional no enfrentamento ao crime organizado e ao narcotráfico.

As declarações de Lula ocorreram durante evento voltado ao anúncio de investimentos da Petrobras em Sergipe, mas acabaram dominando a repercussão política do dia em Brasília. O episódio deve ampliar os embates entre governo e oposição nas próximas semanas, especialmente em torno das relações diplomáticas com os Estados Unidos e das discussões sobre segurança pública.

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