Domingo, 25 de janeiro de 2026

Lula critica Conselho da Paz e diz que Trump quer ser dono da ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o Conselho da Paz de Gaza, criado por Donald Trump, e disse que o presidente dos EUA está propondo a criação de uma nova ONU, da qual ele seria o único “dono”. Apesar da tendência do Brasil de recusar o convite para participar do grupo, o governo mantém cautela e ainda não respondeu aos americanos.

“A Carta da ONU está sendo rasgada e, em vez de a gente corrigir a ONU, que a gente reivindica desde que fui presidente, em 2003, com uma reforma, o que está acontecendo? O presidente Trump está propondo criar uma nova ONU em que ele, sozinho, é o dono”, disse Lula, durante cerimônia do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na sexta-feira (23), em Salvador (BA).

Integrantes do governo brasileiro ainda analisam tópicos propostos por Trump e o aumento do leque de atuação do Conselho da Paz, que poderia ir além do conflito na Faixa de Gaza, o que seria um obstáculo para a entrada do Brasil.

Uma avaliação recorrente entre diplomatas brasileiros é que o Conselho da Paz pode ir contra objetivos de Estado do Brasil, como ampliar a representatividade do Conselho de Segurança da ONU, obter um assento permanente e acabar com o poder de veto no organismo.

O Estadão ouviu de quatro integrantes do governo brasileiro uma série de ressalvas à proposta de Trump. Elas se acentuaram com a divulgação do estatuto do Conselho da Paz e com o lançamento oficial da ideia em Davos, num palanque considerado esvaziado.

A impressão em Brasília é a de que os convites surpreenderam os países e os líderes globais, e a diplomacia americana acelerou a implementação do órgão e improvisou ao realizar o lançamento na Suíça, com baixa adesão – cerca de 20 países, de 60 convites disparados.

A decisão final e oficial do governo, no entanto, ainda não foi tomada e vai depender de avaliações levadas ao próprio presidente. Embora a tendência seja recusar, a resposta deve demorar ao menos mais uma semana, segundo integrantes do governo Lula. Não há um prazo certo para a decisão.

Enquanto ganha tempo, o governo promove análises mais aprofundadas sobre os aspectos jurídicos, políticos e procedimentais de uma adesão – como os custos para a vaga permanente, de US$ 1 bilhão, e a necessidade de aprovação parlamentar da participação em novo órgão internacional.

O Palácio do Planalto mobilizou a diplomacia brasileira para colher impressões e monitorar o posicionamento de outros países. Lula já conversou por telefone sobre assunto com os presidentes da China, Xi Jinping, da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. A estratégia tem sido observar, trocar opiniões e deixar o assunto decantar.

Autoridades americanas chegaram a sondar o Palácio do Planalto, na terça-feira, se Lula participaria do lançamento do Conselho da Paz em Davos, mas ouviram que o brasileiro não viajaria para a Suíça e não tinha concluído sua avaliação da proposta.

Chamou a atenção que quatro países do Brics (Egito, Indonésia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos) tenham aderido e que o conselho tenha um número grande países árabes, bem como a amplitude das baixas entre os europeus, entre eles França e Suécia, que já recusaram o convite.

Na sexta-feira, Trump decidiu retirar o convite feito ao primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, para integrar o órgão. A decisão foi anunciada por mensagem em sua rede social. “Prezado primeiro-ministro Carney, esta carta serve para registrar que o Conselho da Paz está retirando o convite feito à vossa excelência para que o Canadá integre o que será o mais prestigioso conselho de líderes jamais reunido”, escreveu Trump.

A medida ocorre após Trump e Carney protagonizarem um embate em Davos por meio de seus discursos. Sem citar o nome do presidente americano, o canadense condenou o isolacionismo e o assédio de Trump, que disse querer que o Canadá se torne o 51.º Estado dos EUA. “As potências médias devem agir juntas, porque, se não estivermos à mesa, estaremos no cardápio.” Ele foi ovacionado.

Em resposta, no dia seguinte, Trump chamou o canadense de “ingrato”. “O Canadá vive dos EUA e deveria ser agradecido. Lembre-se disso, Mark, da próxima vez que for fazer um discurso”, disse o americano. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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