Segunda-feira, 20 de abril de 2026

Lula diz ter aconselhado Alexandre de Moraes a se declarar impedido no caso Master: “Não permita que caso Vorcaro jogue fora sua biografia”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (8), que orientou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a se declarar impedido em um eventual julgamento relacionado ao chamado caso Master, envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.

A declaração foi feita durante entrevista ao ICL, na qual o presidente relatou uma conversa direta com o magistrado. Segundo Lula, a sugestão foi motivada por informações que vieram a público sobre contratos entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

O Banco Master foi alvo de investigações sobre supostas fraudes financeiras bilionárias e acabou sendo liquidado pelo Banco Central do Brasil no fim do ano passado.

De acordo com o presidente, a recomendação teve como objetivo preservar a credibilidade institucional e a trajetória de Moraes no Judiciário. “Eu disse para o companheiro Alexandre de Moraes exatamente o que estou dizendo aqui: você construiu uma biografia histórica neste país, especialmente após o julgamento do 8 de janeiro. Não permita que esse caso jogue fora a sua biografia”, afirmou Lula.

O presidente também ressaltou que o ministro não atuava diretamente como advogado há anos, em razão de sua carreira pública, que incluiu cargos como secretário de Justiça e ministro no governo Michel Temer. Ainda assim, destacou que a atuação profissional da esposa poderia gerar questionamentos.

“Eu disse a ele que sua esposa estava exercendo a advocacia, o que é um direito dela, e que, diante disso, o mais adequado seria deixar claro que se declararia impedido de participar de qualquer julgamento relacionado ao caso”, relatou.

Para Lula, uma manifestação pública nesse sentido contribuiria para reforçar a confiança da sociedade nas instituições. “Alguma coisa que passe para a sociedade a firmeza que ele tem”, acrescentou.

O caso Master ocorre em meio a discussões mais amplas sobre transparência, conflitos de interesse e os limites de atuação de autoridades públicas em processos que possam envolver relações indiretas com investigados. Até o momento, o STF não analisou eventuais ações relacionadas ao tema em plenário.

(Com informações do O Globo)

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