Terça-feira, 03 de fevereiro de 2026

“Lula e Bolsonaro deveriam proferir palavras de harmonia”, diz Michel Temer em evento de empresários em Nova York

Em seu discurso de abertura no evento Brazil Conference, realizado em Nova York (EUA), o ex-presidente Michel Temer comentou, nesta segunda-feira (14), as manifestações golpistas que ocupam as frentes de quartéis e estradas.

“Fala-se muito em polarização. Mas esse conceito está mais ligado à questão de embate de ideias do que com o que de fato acontece hoje com o Brasil. Isso se chama radicalização, causando cenas como as assistidas, lamentavelmente, também aqui em Nova York”, disse Temer. O ex-presidente se referia ao pequeno grupo que se reuniu para protestar contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), convidados para o evento.

Temer disse ainda que tanto o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva quanto o atual mandatário, Jair Bolsonaro, deveriam “proferir palavras de harmonia” ao invés de incitar a polarização política.

“Tanto o presidente atual quanto o presidente eleito deveriam proferir palavras de harmonia em referência ao texto constitucional. Em vez de fazer críticas com palavras duras, eles deveriam tranquilizar o país e chamar para governar o país e reconstruir o Brasil”, afirmou Temer.

“Eu compreendo bem as angústias do presidente eleito, mas, em vez de fazer críticas ao atual, deveria chegar e dizer: ‘Peço sua colaboração’. Chamá-lo, até: ‘Venha governar comigo, auxiliar no governo, conversar, reconstruir o Brasil”, disse o ex-presidente.

Ao sucedê-lo como palestrante, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, elogiou a fala de Temer e disse que o ex-presidente “merecia mais tempo”.

Michel Temer abriu o evento promovido pelo LIDE – Grupo de Líderes Empresariais, fundado por João Dória, ex-governador de São Paulo.

Ministros do Supremo também estiveram presentes. Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Luís Roberto Barroso foram hostilizados por compatriotas em meio a protestos pela derrota de Bolsonaro.

Temer também foi hostilizado e xingado de “ladrão” por pessoas que o esperavam na porta de um hotel.

No domingo (13), Mendes e Lewandowski foram ofendidos e ameaçados por brasileiros em Nova York. Manifestantes foram até a porta do hotel em que eles estão hospedados para xingá-los.

As hostilidades foram cometidas quando os magistrados deixavam o hotel rumo a uma van posicionada na porta do prédio. “O que é seu está guardado, bandido”, disse um dos brasileiros, em direção a Gilmar, que foi xingado de “vagabundo” e acabou alvo de palavras de baixo calão.

Lewandowski também foi alvo de diversos palavrões e recebeu a pecha de “bandido”. “O fim está chegando”, afirmou um homem, em direção a ele. “A mamata está secando”, protestou. O ministro foi chamado, ainda, de “cachorro do governo”.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, também foi alvo dos manifestantes. Ele foi chamado de “vagabundo” e “ladrão” nas dependências de um restaurante nova-iorquino.

Luís Roberto Barroso, outro componente do STF, acabou xingado enquanto passava pela Times Square, tradicional ponto da cidade americana.

“Nós vamos ganhar essa luta. O senhor está entendendo? Cuidado, hein? O povo brasileiro é maior do que a Suprema Corte, está bom? Você não vai ganhar o nosso país Foge (sic)!”, diz uma mulher a ele, em tom de ameaça. “Não seja grosseira, senhora”, responde Barroso.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de em foco

Ricardo Lewandowski nega que vai integrar ministério de Lula
Estados Unidos podem contornar recessão em 2023, mas Europa não terá tanta sorte, diz Morgan Stanley
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play