Domingo, 01 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 31 de janeiro de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer aproveitar a retomada dos trabalhos legislativos, prevista para esta segunda-feira (2), para fazer um aceno aos líderes da base aliada. Como parte desse movimento, Lula pretende convidá-los para um churrasco de confraternização entre Executivo e Congresso Nacional. O encontro será realizado na Granja do Torto, residência de campo da Presidência da República.
A ideia surgiu como forma de reparar o fato de que Lula não conseguiu promover esse tipo de reunião no fim do ano passado, quando tradicionalmente o governo federal organiza encontros informais com os congressistas por conta das festas de Natal e Ano Novo.
O gesto também deve ser estendido aos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que serão convidados pelo Executivo.
A confraternização tem como pano de fundo o fato de que, em 2025, Executivo e Legislativo encerraram o ano sob desentendimentos e troca de farpas o que levou a gestão petista a sofrer uma série de derrotas no Congresso.
Passado o período do recesso parlamentar, no entanto, a ideia do governo é reverter esse quadro, de forma a começar o ano de 2026 num clima mais positivo com senadores e deputados.
Nos bastidores, integrantes da cúpula do governo dizem acreditar que, em parte, o mal-estar entre Planalto e Congresso já se dissipou na Esplanada.
Um indício, afirmam os petistas, é que Motta se mostrou aberto a discutir, por exemplo, a votação de um projeto que regula a situação de trabalhadores por aplicativo no País.
A pauta é uma das prioridades do governo para este ano, por conta do cenário eleitoral, e tem mobilizado o ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos.
Recentemente, Boulos reuniu-se pessoalmente com Motta pra tratar do tema e ouviu do presidente da Câmara o compromisso de que a matéria será votada ainda no primeiro semestre de 2026 – movimento que foi interpretado pelos governistas como um sinal de melhora nas relações entre os dois Poderes.
Além disso, os mesmos auxiliares de Lula defendem que a situação também já estaria mais tranquila em relação a Alcolumbre, que chegou a romper com o lider do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), no fim do ano passado.
O caso de Alcolumbre é mais delicado porque o governo precisa aprovar, o quanto antes, a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente do Senado, no entanto, desejava emplacar o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), seu aliado, na cadeira de ministro do Supremo.
A mensagem que formalizará a indicação de Messias para o cargo deve ser enviada ao Senado nos primeiros dias de fevereiro.
A preocupação do governo com o clima no Congresso deve-se ainda ao fato de que, neste ano, a gestão petista terá um tempo exiguo para aprovar matérias prioritárias. Na prática, a partir do segundo semestre, o ritmo no Legislativo deve diminuir significativamente por conta da proximidade com a eleição o que praticamente inviabiliza a votação de matérias importantes no Parlamento.
Isso significa que o Planalto terá cerca de seis meses para aprovar ao menos três matérias complexas: o projeto de lei (PL) antifacção, a proposta de emenda à Constituição (PEC) da segurança pública e o fim da escala 6×1, todas consideradas essenciais para a campanha à reeleição de Lula.
A intenção do Executivo, com esses projetos, é oferecer respostas políticas a demandas históricas do País, tanto no campo da defesa dos trabalhadores quanto no enfrentamento ao crime organizado. Ao mesmo tempo, o governo busca demonstrar que tomou iniciativas concretas e transferir ao Congresso a responsabilidade por eventuais entraves políticos.
No ano passado, o PL antifacção, por exemplo, foi alvo de disputa entre Legislativo e Executivo, depois que deputados ligados ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tentaram alterar o teor da proposta enviada pelo Planalto.
Já a PEC da segurança, por sua vez, enfrenta resistência de governadores de oposição, que costumam ter forte influência sobre senadores de seus Estados – o que ajuda a explicar a tentativa do governo de iniciar o ano em condições mais amigáveis com esses parlamentares. (Com informações do Valor Econômico)