Quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Lula, Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas disputam espaço junto à comunidade judaica

Com pouco mais de 100 mil pessoas no Brasil, a comunidade judaica representa cerca de 0,06% da população nacional e não configura, do ponto de vista numérico, um contingente eleitoral expressivo. Ainda assim, lideranças políticas de diferentes espectros têm intensificado gestos públicos em direção a esse grupo, sobretudo às vésperas do Dia Internacional da Lembrança do Holocausto, celebrado na última terça-feira (27).

Nos últimos dias, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou fotos e mensagens de uma viagem a Israel, incluindo registros de oração no Muro das Lamentações. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participou de um ato em memória das vítimas do Holocausto na Congregação Israelita Paulista (CIP). Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escalou a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, para cumprir uma agenda junto a instituições judaicas na capital paulista.

Durante o evento realizado no domingo (25), Tarcísio afirmou que o governo paulista não permitirá manifestações antissemitas no Estado. “A gente está aqui para dizer muito obrigado, para dizer que não vamos esquecer o Holocausto e não permitiremos o antissemitismo no nosso estado”, declarou.

Flávio Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) estão em Israel, onde participaram da Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo e foram recebidos pelo primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. O senador afirmou ter se comprometido a retomar integralmente as relações comerciais entre Brasil e Israel a partir de 2027 e prometeu transferir a embaixada brasileira para Jerusalém.

Em São Paulo, Macaé Evaristo visitou instituições tradicionais da comunidade judaica no bairro do Bom Retiro, como o Ten Yad e a Unibes, além do Memorial do Holocausto. Segundo a ministra, a agenda tem como objetivo reforçar o combate ao antissemitismo e a outras formas de discriminação.

Para o historiador Michel Gherman, autor do livro O Não Judeu Judeu, o interesse político pela comunidade judaica está menos ligado a votos e mais ao simbolismo. “Existe o estigma do judeu bem-sucedido, que acaba reproduzindo um estereótipo, mesmo quando aparece como elogio”, afirma.

Presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Claudio Lottenberg avalia que houve uma “inflexão perigosa” na postura brasileira após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023. Ele critica declarações do presidente Lula que associaram a atuação de Israel em Gaza ao Holocausto, fala que provocou uma crise diplomática entre os dois países e levou Israel a declarar Lula persona non grata.

Apesar das críticas, Lottenberg vê de forma positiva os recentes acenos do governo à comunidade judaica. “Ela tem densidade institucional e simbólica para trazer compasso moral a agendas públicas”, afirma.

Rabino da corrente secular humanista, Jayme Fucs Bar, aliado histórico do PT, diz não considerar Lula antissemita, embora critique a condução da política externa brasileira em relação ao conflito no Oriente Médio. Já o historiador Daniel Golovaty Cursino afirma que se afastou da esquerda e vê no PT uma visão de mundo antissemita.

Questionada sobre as acusações, Macaé Evaristo afirmou que o governo federal atua para desconstruir o antissemitismo e que o presidente Lula “sempre se posicionou em defesa da vida humana”.
(Com Folhapress)

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