Domingo, 25 de janeiro de 2026

Lula participa do encontro de países de língua portuguesa em São Tomé e Príncipe, última parada do giro pela África

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou neste domingo (27), em São Tomé e Príncipe, da 14ª Conferência de Chefes de Estado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O chefe do Executivo desembarcou no país africano por volta das 6h. Ele cumpriu série de compromissos no continente, onde esteve para participar da cúpula dos Brics.

A visita a São Tomé e Príncipe marca o fim de uma semana inteira em que Lula teve compromissos oficiais no continente africano. Ele retornou a Brasília ainda neste domingo.

Em seu discurso, na abertura do evento, Lula abordou temas como sustentabilidade, fome e futuro do trabalho. O presidente também reforçou a importância da união entre os países que compõem a CPLP.

“A maioria dos países da CPLP possui uma população jovem. Para que eles tenham esperanças de um futuro melhor, a sustentabilidade tem de ser promovida, desde agora, nas suas três dimensões: a social, a econômica e a ambiental. Sem alimentação adequada não há perspectiva de uma vida digna. Na CPLP, podemos nos orgulhar do nosso trabalho conjunto na promoção da segurança alimentar e nutricional”, afirmou.

O presidente novamente ressaltou sua intenção de reaproximar o Brasil dos países do continente africano.

“A África tem tudo para se tornar uma potência agrícola, com capacidade para alimentar seu povo e o mundo. O Brasil continuará a ser parceiro nessa empreitada”, disse Lula.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, durante a cúpula os chefes de Estado vão discutir maneiras de estabelecer apoio mútuo para negociações em outros organismos internacionais, entre outros pontos.”

“É um espaço de discussão entre os países de língua portuguesa e um foro interessante, na medida em que há, muitas vezes, apoio mútuo na candidatura desses países para foros internacionais”, afirmou o embaixador Carlos Duarte.

A CPLP é formada por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Acordos

Dois atos bilaterais também foram assinados neste domingo (27). O primeiro foi um acordo de cooperação e facilitação de investimentos entre a República Federativa do Brasil e a República Democrática de São Tomé e Príncipe. Da mesma forma, foi assinado memorando de entendimento entre o Instituto Rio Branco do Ministério das Relações Exteriores da República Federativa do Brasil e o Ministério dos Negócios Estrangeiros, cooperação e comunidades da República Democrática de São Tomé e Príncipe.

Os instrumentos foram assinados pelos ministros das Relações Exteriores de cada país. Em Angola, o presidente Lula assinou sete acordos de cooperação.

Viagem a África

No início da semana, Lula participou, na África do Sul, de encontro de cúpula do Brics, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Depois, o presidente visitou Angola, onde se encontrou com autoridades locais.

Em seus discursos ao longo dos últimos dias, Lula ressaltou que busca reaproximar o Brasil da África e estreitar relações comerciais e culturais com os países do continente.

A estratégia, já aplicada pelo presidente em seus primeiros mandatos, é chamada nas relações exteriores de intensificar a parceria “Sul-Sul”, ou seja, com os países do Sul global, e não concentrar esforços exclusivamente nos parceiros do mundo desenvolvido.

“Muitas vezes, por ignorância, pessoas brasileiras acham que fazer negócio com países ricos é muito melhor, e não se dão conta que os países ricos muitas vezes não querem fazer negócio conosco. Eles querem exportar para nós produtos de alto valor agregado e querem comprar de nós apenas commodities, soja, minério de ferro, milho e carne”, afirmou Lula em discurso em Angola.

Brics

Um dos principais temas da semana africana de Lula foi a adesão de novos países ao Brics a partir do ano que vem. O grupo aceitou os pedidos de Irã, Arábia Saudita, Egito, Argentina, Emirados Árabes e Etiópia.

Para Lula, um dos fundadores do bloco, a geopolítica do mundo “começa a mudar”.

“A economia também começa a mudar. A geopolítica começa a mudar porque as coisas vão acontecendo e a gente vai ganhando consciência de que nós temos de nos organizar […] Trabalhar em igualdade, de forma civilizada, a gente começar a negociar”, afirmou o presidente em Angola.

“Para o Brasil, que sempre defendeu a importância do Sul Global, interessa que se amplie o Brics, apesar da perda de força interna. Quando você amplia o grupo [de cinco para 11 países], a força da voz do Brasil diminui”, avalia Lia Valls Pereira, pesquisadora associada Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre).

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