Domingo, 01 de fevereiro de 2026

Lula quer “pacto” com Trump para não intromissão em temas brasileiros

A se realizar provavelmente em março, o primeiro encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o colega norte-americano Donald Trump na Casa Branca deve ter na pauta uma série de temas. Fontes do Palácio do Planalto projetam para a conversa um tema crucial para o líder petista: a blindagem das eleições brasileiras deste ano contra possíveis intromissões externas.

A expectativa é de que algumas negociações sejam concluídas e que novas iniciativas sejam lançadas. Para o governo, portanto, trata-se de um momento para organizar a relação bilateral, depois de um ano marcado por desencontros. Na reunião, o argumento de Lula deve ser simples: o Brasil não se mete em temas de política doméstica dos Estados Unidos (inclusive sobre imigração), portanto merece tratamento recíproco.

Recentemente, um diálogo telefônico entre os dois presidentes não incluiu a questão migratória. Trata-se de uma postura deliberada e estratégica de Lula.

A avaliação do Palácio do Planalto é de que, no pleito presidencial de 2026, a agenda internacional terá peso na campanha. Um exemplo disso é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apresentado como pré-candidato à Presidência e que, dias atrás, esteve em Israel para acusar Lula de antissemitismo. No mesmo dia, o governo federal organizou  em Brasília uma reunião com entidades judaicas.

Desmobilizar o bolsonarismo

O respeito pela soberania do outro país é apenas parte da estratégia. Para Lula, a ofensiva também passa pela necessidade de se criar espaços de cooperação que, no fundo, desmobilizem as forças que defendem a ingerência de Trump nos rumos do Brasil.

Na conversa telefônica entre Lula e o americano, o presidente brasileiro voltou a falar da necessidade de que os Estados Unidos colaborem com o Brasil na luta contra a lavagem de dinheiro por grupos criminosos. A estratégia para evitar pressões da Casa Branca no assunto envolve a ideia de que não existe solução para esse problema sem o engajamento de Washington.

A esperança de Brasília, portanto, é de que o encontro em Washington lance efetivamente a parceria no combate ao crime organizado, com pontos concretos de atuação. Isso inclui ações contra a lavagem de dinheiro, o compartilhamento de dados financeiros de suspeitos e a busca por pessoas foragidas.

Com isso, o Brasil quer desmobilizar a narrativa do bolsonarismo de usar o crime organizado como uma justificativa para permitir a ingerência externa na eleição.

Outro tema que o Brasil levará para a mesa é a questão das tarifas que ainda estão sendo impostas contra 22% do fluxo de bens exportados pelo país ao mercado americano.

Depois de vários encontros entre ministros e mesmo de conversas entre os presidentes, o governo brasileiro sempre disse que um novo encontro bilateral entre os presidentes apenas ocorreria quando estivesse perto de fechar um acordo comercial.

Apesar de esperar resultados concretos para março, o governo brasileiro admite que as ameaças contra a democracia no País continuam. Para o Palácio do Planalto, o maior risco é a ação das plataformas digitais, por meio da difusão de desinformação.

Precauções

Apesar da relação pessoal entre Lula e Trump ser considerada como “positiva”, o Palácio do Planalto trabalha para evitar que a viagem seja marcada por “surpresas” por parte do republicano. A ordem no gabinete é para tomar precauções, diante do comportamento errático do americano.

Ainda que a “química” entre os dois seja uma realidade, o governo não vai baixar a guarda e irá trabalhar para definir o formato do encontro, com blindagens ao presidente brasileiro.

Na reunião entre os dois líderes, na Malásia, Brasília foi surpreendida por uma manobra da Casa Branca para colocar jornalistas para dentro da sala do encontro por alguns instantes.

O governo não esconde que um gesto de deferência de Trump com Lula – transformando a viagem em uma visita de Estado — teria um impacto doméstico importante. Mas não há uma definição nesse aspecto. Lula, portanto, será preparado para vários cenários, ainda que diplomatas acreditem que a “margem para mal-criação” está reduzida. (com informações de ICL Notícias)

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