Domingo, 21 de julho de 2024

Lula quer Selic mais baixa; entenda a função da taxa de juros na economia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar na semana passada o Banco Central (BC). As críticas vieram antes e após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da última quarta-feira (19), que decidiu manter a taxa Selic em 10,5% ao ano.

A Selic é a taxa básica de juros e, por conta disso, influencia diretamente todas as outras taxas da economia brasileira.

Em entrevista para a rádio “Verdinha”, de Fortaleza (CE), Lula lamentou os juros e falou que quem perde é o povo brasileiro.

“Foi uma pena que o Copom manteve os juros porque quem está perdendo é o povo brasileiro. Quanto mais alto os juros, menos dinheiro sobra para a gente investir aqui dentro [do Brasil]. A decisão do BC não foi investir no povo brasileiro, foi investir no sistema financeiro, nos especuladores que ganham dinheiro com juros”, disse Lula.

A taxa Selic é o principal instrumento de política monetária. Ela é utilizada pelo BC para controlar a inflação, perseguindo a meta e preservando o poder de compra, explica Cássio Besarria, professor de economia da UFPB e coordenador do Laboratório de Inteligência Artificial e Macroeconomia Computacional (Labimec).

Isso porque existe uma meta de inflação que deve ser atingida em um determinado ano e a definição da Selic — para mais, para menos ou se mantendo — ajuda a atingir a meta, explicam os especialistas ouvidos pelo Valor.

Como funciona

Quando a Selic está baixa, o consumo volta a crescer e aumenta a inflação; já com a Selic alta, o consumo diminui e a inflação tende a cair.

Na prática, por exemplo, em ciclos de alta, fica mais caro pegar emprestado crédito, o que diminui o consumo. Além disso, faz com que as pessoas que têm dinheiro guardem o recurso para ganhar juros maiores, o que também gera menos consumo e faz os preços cederem, descreve Juliana Inhasz, economista e professora do Insper.

A definição da taxa é feita usando como base a inflação atual mais expectativa de inflação futura (se dá sinais que vai subir ou cair).

Além disso, existem outros fatores que podem influenciar a decisão sobre a taxa, como um aumento da incerteza econômica e da conjuntura internacional. Conflitos internacionais também podem influenciar os indicadores de inflação doméstica, explica Juliana.

A decisão do Copom de junho marcou o fim do ciclo de cortes na taxa básica de juros e isso impacta diversos setores da economia.

Isso porque, como a Selic funciona como taxa de referência e serve como um parâmetro para as demais taxas de juros do sistema econômico, os empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras também são impactados.

“Quando o Banco Central, por exemplo, aumenta a Selic, isso indica, para os demais agentes financeiros, que os juros estão em um ciclo de alta, então as demais taxas de juros da economia tendem a seguir esse direcionamento”, explica Besarria.

Áreas impactadas pela taxa Selic:

* Fornecimento de crédito;

* Consumo das famílias;

* Financiamentos e consórcios;

* Investimentos no mercado financeiro, como renda fixa;

* Investimento em capacidade produtiva, como contratação de nova tecnologia e compra de maquinário.

Além disso, o professor aponta que o País tem histórico negativo de alta inflação, que é “um dos principais mecanismos de desigualdade social”.

Isso faz com que pessoas de baixa renda sofram mais com a alta da taxa Selic que indivíduos de alta renda, que conseguem preservar o seu poder de compra com outros investimentos.

Os especialistas explicam que o papel do BC é preservar o poder de compra da moeda, ou seja, combater a inflação, sendo de competência do governo federal a atividade econômica do país. Então, mesmo que as decisões da autarquia influenciem trazendo “efeitos contracionistas para a economia”, elas são necessárias para controlar a inflação e atingir a meta”, explica Besarria.

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