Sexta-feira, 20 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 19 de março de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta acelerar a estratégia para destravar a nomeação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A movimentação do Planalto busca garantir a aprovação do atual Advogado-Geral da União antes que uma eventual delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, possa turvar ainda mais o cenário político no Senado.
Embora o nome de Messias tenha sido publicado no Diário Oficial da União (DOU) há quase quatro meses para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso em outubro de 2025, a mensagem presidencial formal ainda não foi enviada ao Senado.
O recuo estratégico visava proteger Messias de uma derrota na votação. O governo não conseguiu apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para a indicação e ainda sofre os desgastes das CPIs e das investigações da Polícia Federal em andamento sobre os casos Master e INSS.
Mas o objetivo, agora, é dar andamento à indicação assim que acabar o período da janela partidária no qual os deputados podem mudar de legenda até 3 de abril.
A ideia, também, é resolver a situação nos próximos 60 dias, evitando que o processo seja congelado pelo recesso parlamentar ou pela radicalização das campanhas eleitorais de 2026.
Para assegurar os 41 votos necessários, o presidente Lula tem buscado diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Foram pelo menos três telefonemas apenas este mês, descritos por assessores como “amigáveis”. Mas o senador tem evitado o encontro presencialmente.
O governo avalia já ter os votos suficientes, mas reconhece que eles só serão formalizados com o aval de Alcolumbre.
Interlocutores palacianos acreditam que o caminho está sendo pavimentado por um arranjo político em Minas Gerais. O senador Rodrigo Pacheco (PSD), que era o candidato favorito de Alcolumbre para o STF, deve consolidar sua candidatura ao governo mineiro com o apoio de Lula. Um encontro entre o presidente e Pacheco está previsto para esta sexta-feira (20), em Minas, para selar esse entendimento.
Com Pacheco candidato, espera-se no Planalto que Alcolumbre tenha mais “boa vontade” para pautar o nome de Messias.
Obstáculos
Apesar do otimismo palaciano, o clima no Senado permanece hostil. O escândalo do Master criou respinga em integrantes dos três Poderes da República, e a expectativa por uma delação de Vorcaro com alvo principalmente no ambiente político deixa o Senado ainda com menor disposição de votar uma indicação ao STF. Além disso a polarização da corrida presidencial também afetará o debate.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já declarou publicamente que articula uma “barreira” contra o AGU, acusando o governo de tentativa de aparelhamento. “Não há independência em relação ao PT”, afirmou o parlamentar, que lidera a ala que promete voto contrário em bloco.
Caso a aprovação não ocorra neste semestre, o governo corre o risco de ver a cadeira do STF permanecer vaga até o final do ano, sob o impacto direto das urnas e da temperatura crescente das investigações judiciais. (Com informações da Coluna do Estadão/O Estado de S. Paulo)