Quinta-feira, 02 de dezembro de 2021

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Maior consumo de ultraprocessados no país impacta natureza

Durante um período de 30 anos, os brasileiros passaram por uma transição nutricional, abrindo mão de uma dieta mais natural para uma com maior consumo de ultraprocessados, a exemplo de refeições prontas, refrigerantes e outros itens cuja produção fica totalmente a cargo da indústria.

Mas esse não é um problema apenas de saúde: tais produtos são justamente os que mais geram impactos no meio ambiente, com maiores emissões de gases de efeito estufa, além de desperdiçar mais água e gerar uma maior pegada ecológica.

Os riscos ambientais representados por esse consumo estão descritos em um estudo inédito, recém-publicado no jornal científico The Lancet Planetary Health. A colaboração envolveu pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), além de especialistas de instituições britânicas como as universidades de Londres, de Manchester e de Sheffield.

O levantamento usou dados de residências urbanas brasileiras coletados entre 1987 e 2018. Assim, foi calculado o impacto ambiental a cada mil calorias consumidas de alimentos de quatro grupos: não processados ou minimamente processados, ingredientes culinários processados, alimentos processados ​e, por fim, os ultraprocessados.

Os cientistas notaram que a proporção de produtos não processados ou minimamente processados nas dietas das famílias diminuiu, enquanto a quantidade de processados e ultraprocessados cresceu. O que teve aumento no período, principalmente, foi o consumo de carne ultraprocessada, o que dobrou o impacto ecológico diário por indivíduo, totalizando cerca de 20% da pegada ambiental relacionada à dieta.

Diante das mudanças nutricionais no Brasil, a cada mil calorias consumidas, houve um aumento de 21% na contribuição para as emissões de gases de efeito estufa, além de um acréscimo de 22% na pegada hídrica, isto é, na quantidade de água utilizada para manter uma alimentação abarrotada de ultraprocessados. E ainda houve uma elevação de 17% da pegada ecológica, indicador que considera os gastos de recursos naturais como um todo.

Mas o cenário pode ser ainda pior: a relação entre a alimentação e as mudanças climáticas seria um desafio para a própria segurança alimentar. “Os sistemas alimentares são responsáveis ​​por um terço das emissões globais de gases de efeito estufa, e ainda, ao mesmo tempo, sofrem os impactos climáticos que eles próprios ajudam a causar”, explica Jacqueline Tereza da Silva, coordenadora da pesquisa que atua no Departamento de Medicina Preventiva da USP, em comunicado.

Para Christian Reynolds, professor da Universidade de Londres, o Brasil está passando por uma transição alimentar parecida com a que ocorreu no Reino Unido. Tanto lá quanto aqui, essa mudança aconteceu em um período considerado curto, com impactos muito além do bem-estar humano.

O papel nocivo dos ultraprocessados à saúde já é discutido há mais de uma década por sua relação com obesidade, doença coronariana, diabetes e mesmo câncer. Mas é preciso discutir seus outros efeitos nocivos. “Devem ser consideradas ações e políticas que visam várias áreas. Por exemplo, intervenções fiscais como impostos ou subsídios, regulamentação sobre publicidade e melhoria da rotulagem de alimentos e menus com a adição de impactos ambientais”, cita Reynolds.

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