Sexta-feira, 24 de maio de 2024

Mais da metade dos senadores acredita que acordo Mercosul-União Europeia não sairá do papel

Quase 60% dos senadores acreditam que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia não sairá do papel. É o que mostra pesquisa feita pela consultoria Ranking dos Políticos.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), defendeu o acordo em reunião com o presidente da França, Emmanuel Macron, na última quinta-feira (28), mas não obteve respaldo.

Macron avalia que se trata de mau negócio para a agricultura francesa e afirma que as tratativas precisam incluir a descarbonização. Antes, no encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele chegou a dizer que seria loucura validar um texto com discussões de 20 anos atrás.

O presidente da França disse que não defende o acordo que está sendo costurado. Segundo ele, o atual acordo está sendo negociado há mais de 20 anos e não foi atualizado, prevendo, por exemplo, temas como o clima. Para ele, o acordo “precisa ser renegociado do zero”.

“O Mercosul é um péssimo acordo como ele está sendo negociado agora. Esse acordo foi negociado há 20 anos. Eu não defendo esse acordo. Não é o que queremos”, disse. “Deixemos de lado um acordo de 20 anos atrás e construamos um novo acordo, mais responsável, prevendo questões como o clima e a reciprocidade”, destacou.

O levantamento indicou que o ceticismo também atingiu o Congresso.

57,1% dos senadores não acreditam que o acordo irá adiante;
19% acham que sairá somente depois de 2025;
14,3% avaliam que será concretizado em 2025;
9,5% creem que será fechado neste ano.

O cenário é semelhante na Câmara. A pesquisa revelou que, para 42,2% dos deputados, o acordo sequer será finalizado. Na avaliação de 22,5%, isso só ocorrerá após 2025. Outros 20,6%, porém, dizem acreditar que os dois blocos chegarão a um entendimento no ano que vem. Apenas 7,8% apostam na concretização do acordo até este ano.

Para esse grupo, a expectativa é a de que o acordo Mercosul-União Europeia, negociado há duas décadas, volte a ser discutido no segundo semestre, após as eleições para o Parlamento Europeu. No ano passado, as negociações quase foram concluídas, mas a resistência da França foi o principal entrave para barrar o acerto.

A pesquisa da consultoria Ranking dos Políticos foi feita por meio de questionário estruturado, distribuído entre 102 deputados federais de 21 partidos e 21 senadores de 12 siglas, respeitando o critério da proporcionalidade partidária. A coleta de dados ocorreu entre os dias 18 e 20 de março.

 

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