Sábado, 24 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 24 de janeiro de 2026
O Brasil registrou 232 desaparecimentos por dia em 2025. Cerca de 30% desse total são compostos por crianças e adolescentes. No acumulado, 84.760 pessoas desapareceram, um crescimento de 4,12% em relação ao ano anterior. Os dados compilados são do Ministério da Justiça e baseiam-se nos boletins de ocorrência das delegacias dos 26 Estados e do Distrito Federal. São Paulo tem o maior número de casos, com mais de 20 mil pessoas desaparecidas, dado que representa praticamente 50 ocorrências diárias, cerca de 3% a mais do que em 2024.
Na sequência, para completar o top5, aparecem os Estados de: Minas Gerais (9.139), Rio Grande do Sul (7.611), Paraná (6.455) e Rio de Janeiro (6.331). Em 2025, o governo recriou um banco de dados geral, conhecido como Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, para facilitar a busca e a cooperação das autoridades. No entanto, apenas 12 Estados aderiram ao sistema.
O banco de dados unificados poderia auxiliar para que todos os serviços públicos ou privados pudessem consultar, quando se há suspeita de uma pessoa desaparecida. Principalmente em serviços de saúde e assistência social.
“No Brasil temos cadastros de imóveis, de veículos automotores, entre outros, mas ainda não temos efetivamente um cadastro único nacional de pessoas desaparecidas. Nos últimos anos os números de homicídios diminuíram, mas de desaparecidos tem aumentado. Isso aponta que alguns homicídios podem ter migrado para situações de assassinatos com ocultação de cadáver”, diz Ariel de Castro Alves, membro da Comissão Nacional da Criança e do Adolescente da OAB e ex- secretário nacional dos direitos da criança.
Ao segmentar os dados dos desaparecidos, 54.102 são homens e 30.050 mulheres. Março foi o mês com mais ocorrências, 7.536. A taxa de desaparecimento a cada 100 mil habitantes é de 40 pessoas.
“O Brasil não tem ainda políticas públicas de busca, localização e investigação de desaparecimentos. Os poderes públicos se omitem nessa área. Os casos são negligenciados nas repartições policiais. Dificilmente as polícias investigam casos de desaparecimentos”, relata o ex-secretário.
Como agir
De acordo com o Ministério da Justiça, a primeira ação é registrar um boletim de ocorrência, que pode ser feito em uma delegacia da Polícia Civil ou de forma virtual. O mais importante, de acordo com a pasta, é que a comunicação ocorra no menor tempo possível e com o máximo de informações em relação ao desaparecimento.
Outro alerta é ter atenção ao divulgar cartazes. A recomendação é sempre utilizar os contatos fornecidos pela polícia para evitar trotes e golpes e não divulgar telefones ou contatos pessoais. Para prevenir o desaparecimento de crianças, o ministério aconselha:
* ter muita atenção em grandes eventos ou multidões, nunca perder a criança de vista e, se possível, segurar sua mão;
* marcar pontos de encontro em locais públicos;
* orientar as crianças a memorizarem seu nome completo e os nomes dos pais, endereço e números de telefone importantes;
* estar atento ao uso da internet e redes sociais por criança;
* tirar desde cedo as documentações pessoais da criança, como RG ou CPF.
Segundo a pasta, não é necessário aguardar 24 horas para registrar o desaparecimento de uma criança. O quanto antes o caso for comunicado, mais efetiva será a busca, o que aumenta as chances de localização. (Com informações dos portais CNN Brasil e g1)