Quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 28 de janeiro de 2026
Mais de 60% da população brasileira está acima do peso e cerca de 25% já enfrenta um quadro de obesidade, segundo dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2024 divulgados nesa quarta-feira (28) pelo Ministério da Saúde.
A pesquisa apresentou um panorama sobre os hábitos e a saúde da população brasileira com dados sobre obesidade; diabetes; hipertensão arterial; consumo regular de frutas e hortaliças; consumo de refrigerantes ou sucos artificiais; prática de atividade física e hábitos de sono.
De acordo com o ministério, a prevalência de excesso de peso em adultos aumentou de 42,6% em 2006, quando o levantamento começou a ser realizado, para 62,6% em 2024. Os dados também mostram que os números da obesidade também cresceram no país, passando de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024.
Apesar dos números negativos com relação ao peso, houve um aumento na prática de atividade física moderada – ao menos 150 minutos semanais – no tempo livre nesse período. Em 2024, 42,3% dos entrevistados afirmaram ser ativos, porcentagem que chegava somente a 30% em 2006.
Doenças crônicas
O diagnóstico de diabetes em adultos chegou a 12,9% em 2024. O número é mais do que o dobro do apresentado no primeiro ano da pesquisa, quando a doença atingi apenas 5,5% da população.
Com relação à hipertensão arterial, o aumento da prevalência foi menor, passando de 22,6% em 2005 para 29,7% em 2024.
Atividades físicas
A atividade física no deslocamento pelas cidades diminuiu de 17% em 2009 para 11,3% em 2024 devido ao maior uso de carros por aplicativos e transporte público. Já a atividade moderada no tempo livre com pelo menos 150 minutos semanais cresceu de 30,3% em 2009 para 42,3% em 2024.
Hábitos alimentares
Mesmo com aumento nos índices de sobrepeso e obesidade, o brasileiro tem se alimentado melhor, indica o Vigitel.
O consumo regular de frutas e verduras, em cinco dias ou mais por semana, manteve-se estável, variando de 33% em 2008 para 31,4% em 2024.
A pesquisa também trouxe uma boa notícia: o brasileiro reduziu o consumo regular de refrigerantes. A porcentagem chegava a 30,9% em 2007 e diminuiu para 16,2% em 2024.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, avaliou que dados positivos como diminuição do consumo de refrigerante e aumento da atividade física não têm sido suficientes para reduzir a incidência de doenças crônicas como diabetes, hipertensão e obesidade.
“À medida que o Brasil vai envelhecendo cada vez mais, surgem mais pessoas com doenças crônicas. Por isso, precisamos ter mais políticas de cuidado e prevenção”, defendeu.
Dormindo pouco
Pela primeira vez, o Vigitel analisou o sono da população brasileira: 20,2% dos adultos nas capitais disseram dormir menos de 6 horas por noite e 31,7% dos adultos têm pelo menos um dos sintomas de insônia, com maior prevalência entre mulheres (36,2%) que homens (26,2%).
Segundo Padilha, esse dado mostra que o sono tem sido insuficiente e interrompido ao longo da noite.
“Isso preocupa porque um sono sem qualidade tem relação direta com ganho de peso, obesidade, com piora das doenças crônicas e com o tema da saúde mental. Chama a atenção esse dado nacional e vamos reforçar com as equipes de atenção primária para perguntar sobre o sono”, disse. (Com informações da Agência Brasil e g1)