Terça-feira, 10 de março de 2026

Mais de dez anos depois, Justiça gaúcha condena mulher por envolvimento em morte de fotógrafo

O envolvimento no assassinato do fotógrafo José Gustavo Bertuol Gargioni, em 2015, levou uma mulher a receber condenação de 26 anos e oito meses de prisão em regime inicialmente fechado. Sem a presença da ré (foragida da Justiça), o julgamento foi realizado nessa terça-feira (10) em Canoas (Região Metropolitana de Porto Alegre), mesma cidade onde se deu o crime.

Com sete integrantes (quatro do sexo feminino), o conselho de sentença acolheu a tese do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), que apontou homicídio com os agravantes de motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. A ré, de 31 anos, agora é alvo de decreto de prisão preventiva.

Apenas uma testemunha de acusação foi ouvida no tribunal: o delegado Marco Antônio Guns, responsável pela investigação da Polícia Civil na época. Ele detalhou aspectos sobre a dinâmica dos fatos que culminaram na execução de Gargioni, de 22 anos – ele recebeu 19 tiros de pistola, após ser espancado.

Segundo ele, depoimentos de testemunhas, corroboradas por análises de mensagens e dados técnicos de telefonia, indicaram que a acusada mantinha relacionamento afetivo com o fotógrafo – que conhecera em uma academia – e também com um traficante de drogas. Este último, enciumado, fez com que ela atraísse o jovem para uma emboscada em local conhecido como “Prainha de Paquetá” (bairro Mato Grande), na confluência dos rios Sinos e Jacuí.

Consta no processo que o fotógrafo foi morto no início da madrugada de 28 de julho de 2015. A promotoria encarregada do caso apontou como autor das agressões e dos disparos o criminoso Juliano Biron da Silva, condenado em fevereiro de 2020 a uma pena de 18 anos de reclusão em regime fechado.

Sobre a vítima

Gargioni, que deixou o gêmeo Guilherme, mais duas irmãs e os pais, era natural de Maceió (AL). Ele tinha cerca de 1 ano de idade quando a família se mudaou para o Vale do Sinos, estabelecendo-se posteriormente em Canoas.

Na época de sua morte, o fotógrafo planejava abrir uma empresa especializada em cobertura de eventos. A ideia decorria de sua experiência na equipe de Comunicação Social do Palácio Piratini, em Porto Alegre, ao longo de dois anos (2013-2014).

Vai-e-vem jurídico

A ré já havia sido submetida a júri popular em dezembro de 2023, mas acabou absolvida da acusação de homicídio. Na mesma sessão plenária, foi declarada a extinção da punibilidade pelo crime de ocultação de cadáver, em razão da prescrição, com base na pena concretamente projetada e sem oposição do Ministério Público.

Em abril do ano passado, porém, o julgamento foi anulado após o Tribunal acolher recurso do MPRS apontando que a decisão dos jurados era contrária às provas constantes nos autos. A decisão transitou em julgado em agosto do mesmo ano, determinando a realização de uma nova sessão.

(Marcello Campos)

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