Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Manutenção de provas do caso do Banco Master no Supremo pode afetar investigação, dizem peritos; Dias Toffoli reconsiderou a decisão

Peritos federais avaliam que a decisão do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), de manter todo o material do caso Master apreendido nessa quarta-feira (14) lacrado e guardado no tribunal pode comprometer as investigações. A medida é incomum em operações da Polícia Federal (PF). Geralmente, os itens apreendidos são mandados à perícia que fica dentro da estrutura policial.

Mais tarde, no início da noite, Toffoli reconsiderou a decisão e determinou que o material apreendido fique sob custódia da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Do ponto de vista técnico, segundo estes peritos, a decisão pode gerar riscos de violação da cadeia de custódia – quando não são cumpridos os procedimentos que garantem a preservação da prova de um crime.

Também há preocupação com a perda ou manipulação indevida de dados digitais durante o seu armazenamento. Além da possibilidade de acesso remoto e de que os dados fiquem preservados.

Um perito que pediu para não ter seu nome divulgado afirma que não há informação sobre onde o material será armazenado no Supremo, tampouco quem vai manipulá-lo.

A decisão pode gerar dúvidas sobre a confiabilidade das provas e abrir questionamentos da defesa e uma discussão que pode resultar na anulação da investigação.

Além disso, segundo os peritos, a decisão sugere que Toffoli não confia na Polícia Federal o suficiente para mandar os bens para o órgão, uma vez que não houve justificativa clara para isso.

O gabinete de Toffoli argumentou, em nota, que o acautelamento imediato na corte “tem por finalidade a preservação das provas recolhidas pela autoridade policial e serão devidamente periciadas pelas autoridades competentes”.

A medida ocorreu na decisão em que o ministro criticou a Polícia Federal e exigiu explicações em 24h do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, pelo não cumprimento dos prazos determinados por ele na segunda fase da operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco.

As críticas constam do despacho assinado na terça-feira (13), em que Toffoli determinou a busca e apreensão em endereços de Vorcaro, a prisão temporária do cunhado dele, Fabiano Zettel, e ainda busca de informações do empresário Nelson Tanure.

As medidas determinadas por Toffoli foram requeridas pela Procuradoria-Geral da República em 6 de janeiro e deferidas pelo ministro no dia seguinte. A ação policial só foi deflagrada nessa quarta-feira (14). (Com informações da Folha de S.Paulo)

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