Segunda-feira, 15 de julho de 2024

Mar Vermelho: Irã envia navio de guerra e acende novo alerta sobre riscos à navegação na área

O Irã enviou um navio militar ao Mar Vermelho, uma das rotas comerciais mais movimentadas do planeta, e que hoje vive semanas de tensão envolvendo ataques da milícia houthi, do Iêmen, a embarcações civis. As ações do grupo armado, que controla parte do território iemenita e é apoiado por Teerã, estão relacionadas à guerra em Gaza, e levaram à criação de uma força naval comandada pelos Estados Unidos.

Segundo a agência Tasnim, o contratorpedeiro Alborz cruzou o Estreito de Bab el-Mandeb na segunda-feira (1º), e segundo a Marinha iraniana, ele integra a estratégia de missões regulares em águas internacionais, incluindo nos oceanos Índico, Pacífico e Atlântico. Contudo, chamou a atenção o momento escolhido para a viagem: desde meados de novembro, a milícia houthi, apoiada pelo Irã, tem atacado ou capturado embarcações comerciais que tenham qualquer tipo de relação com Israel.

Segundo o grupo, essa é uma forma de apoiar o Hamas, responsável pelos ataques de 7 de outubro e que trava com os israelenses uma guerra que matou mais de 20 mil pessoas em Gaza.

As ações levaram várias empresas a suspenderem o tráfego pela área, por onde passam 12% do comércio internacional, elevando o preço de seguros das embarcações e provocando o temor de impactos sobre os preços de produtos e commodities, como o petróleo. Depois de muita pressão das companhias de transportes e governos locais, os EUA formaram ao lado de nove países, uma força naval para evitar novos ataques dos houthis.

No domingo (31), a coalizão foi acionada após um alerta emitido pelo navio Maersk Hangzhou, que na véspera havia sido atingido por mísseis — agora, a tripulação havia percebido que quatro barcos, supostamente dos houthis, se dirigiam em alta velocidade, manobra associada a uma tentativa de sequestro. Helicópteros americanos foram ao local e, depois de terem alertas ignorados e serem alvejados com armas de fogo, dispararam contra os barcos, afundando três das quatro embarcações. Nenhum marinheiro do cargueiro ficou ferido, e dez milicianos morreram.

Segundo analistas militares, o Alborz, construído em 1969, não é páreo para os navios de guerra americanos no Mar Vermelho, e os iranianos, apesar da retórica elevada, não têm demonstrado interesse em se envolver diretamente na guerra em Gaza ou em um confronto com os Estados Unidos.

Por outro lado, Teerã pode “incentivar” seus aliados regionais, como os houthis, para intensificarem ações como os ataques no Mar Vermelho. No domingo, o chanceler iraniano Hossein Amirabdollahian se reuniu com uma liderança houthi, Mohammed Abdulsalam, e reiterou seu apoio à milícia que há mais de uma década trava uma violenta guerra civil no Iêmen.

“O Irã vai continuar a apoiar o desejo e a vontade do povo iemenita”, disse Amirabdollahian. Pouco antes, ele conversou com o chanceler britânico, David Cameron, que pediu a ele que “controle” os houthis. Oficialmente, o Irã presta apenas apoio político à milícia, e nega ter mandado armas ao Iêmen.

A presença do Alborz é considerada um aval indireto de Teerã aos ataques contra navios, e o grupo vê seu apoio entre a população árabe aumentar por causa da posição sobre a guerra em Gaza. Há ainda divergências sobre como evitar as ações: Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que lançaram uma ofensiva armada contra a milícia em 2015, escolheram não integrar a força naval americana. Somados, esses fatores podem servir como estímulo aos houthis para continuarem e intensificarem os ataques.

“Há um risco real de escalada aqui, e já vimos alguns incidentes acontecerem nos últimos dias”, disse à Bloomberg Dina Esfandiary, conselheira sobre Oriente Médio no International Crisis Group. “Os houthis deixaram claro que não estão com medo de cumprirem suas ameaças.”

Kevjn Lim, analista da S&P Global Market Intelligence, apontou à Bloomberg que a milícia pode ampliar seus alvos: agora, além dos navios ligados a Israel, embarcações de países que eles considerarem “hostis” também estariam na mira. Um exemplo é o próprio Maersk Hangzhou, que seguia de Cingapura para o Canal de Suez quando foi atacado — a Maersk, dona do navio, é baseada na Dinamarca, um país que integra a força naval.

“Eles não estão demonstrando disposição para reduzir as tensões, então é provável que vejamos mais ataques a ativos comerciais e navios dos EUA no futuro”, disse Lim à Bloomberg.

Nessa terça-feira (2), o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, conversou com David Cameron sobre os ataques no Mar Vermelho. Segundo Mathew Miller, porta-voz do Departamento de Estado, eles discutiram a importância de ações multilaterais para conter os houthis, sem dar detalhes. Os dois ainda conversaram sobre a guerra em Gaza, e sobre “a necessidade de melhorar a proteção civil e o envio de ajuda aos civis em Gaza”, afirma o comunicado.

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