Terça-feira, 07 de julho de 2026

Máscara mortuária de Sarmento Leite legado médico no Museu da Medicina

 

Peça moldada em 1935 pelo escultor André Arjonas é doada pela família ao MUHM, com apoio do SIMERS, e passa a integrar o acervo permanente do museu.

A entrega da máscara mortuária do Prof. Dr. Eduardo Sarmento Leite (1868–1935) ao Museu de História da Medicina do RS (MUHM), realizada pela família com apoio do Sindicato Médico do RS (SIMERS), foi um ato de rara relevância cultural e científica. Mais do que uma peça de acervo, trata-se de um símbolo que atravessa gerações e reafirma a memória de um dos maiores nomes da medicina gaúcha.

O que é a máscara mortuária

A máscara mortuária é um molde feito diretamente sobre o rosto de uma pessoa logo após sua morte, geralmente em gesso ou bronze. Preserva com fidelidade os traços fisionômicos e eterniza a presença física de personalidades que marcaram a vida pública e intelectual. No caso de Sarmento Leite, a obra foi realizada pelo escultor espanhol André Arjonas, radicado em Porto Alegre nas décadas de 1930 e 1940, conhecido por retratos de figuras públicas e obras sacras — tornando sua autoria um marco artístico da época.

A família e suas gerações

Na solenidade, o neto Thiago Sarmento Leite, representante da terceira geração, destacou o sentido da entrega: “É preciso que a memória das pessoas que contribuíram no sentido de bem comum, da ciência e da medicina, seja preservada, não por eles propriamente, mas por servirem de exemplo para as outras pessoas.”

Thiago esteve acompanhado do filho e da neta — representantes da quarta e quinta gerações —, reforçando que o legado de Eduardo Sarmento Leite não é apenas histórico, mas vivo e transmitido de pais para filhos. Essa continuidade familiar dá à doação um caráter ainda mais profundo: não se trata apenas de preservar uma peça, mas de reafirmar uma tradição que se mantém há mais de um século.

O legado de Eduardo Sarmento Leite

Nascido em 1868, Sarmento Leite foi cofundador da Faculdade de Medicina de Porto Alegre, ao lado de Protásio Alves. Criou a 5ª Enfermaria de Cirurgia, que após sua morte passou a levar seu nome, e idealizou o Instituto Anatômico, construído praticamente às suas expensas, consolidando a Santa Casa de Misericórdia como hospital-escola. Como diretor da faculdade, foi responsável por iniciativas que moldaram a formação médica no estado, sempre com rigor científico e espírito humanista.

Relevância institucional

Para o MUHM, a máscara mortuária é mais do que uma peça de acervo: é um símbolo da identidade médica gaúcha. A presidente da Associação dos Amigos do MUHM, Leonor Baptista Schwartsmann, afirmou que considera a peça “a mais importante do museu” pelo valor artístico e histórico. Já o presidente do SIMERS (Sindicato Médico do RS), Marcelo Marsillac Matias, ressaltou que o gesto da família reflete a abnegação do próprio Sarmento Leite, que investiu recursos pessoais em prol da ciência e da educação.

Um legado eternizado

A incorporação da máscara mortuária ao acervo do MUHM não é apenas um ato de preservação, mas um marco cultural. A peça conecta o presente à trajetória de um homem que fez da medicina uma missão de vida e da educação um instrumento de transformação social. Ao ser exposta ao público, a máscara mortuária de Sarmento Leite reafirma o papel dos museus como guardiões da memória científica e como espaços de diálogo entre passado e futuro.

A doação da máscara mortuária de Eduardo Sarmento Leite representa a união de família, instituições e comunidade em torno da preservação da memória médica. É um gesto inusitado e de grande relevância, que eterniza no Museu da Medicina o legado de um professor cuja obra transcende o tempo e continua a inspirar gerações — agora reafirmado pela presença de três gerações na cerimônia e pela certeza de que a família já se encontra em sua quinta geração, mantendo viva a tradição e o compromisso com a ciência e o bem comum. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

Como visitar

A Máscara Mortuária de Eduardo Sarmento Leite está em exposição permanente no Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul (MUHM), localizado na Av. Independência, 270 – Centro Histórico, Porto Alegre, no prédio histórico da Santa Casa de Misericórdia, espaço que o próprio Sarmento Leite ajudou a consolidar como hospital-escola.
O museu funciona de terça a sexta-feira, das 10h às 17h, com entrada gratuita. Informações adicionais podem ser obtidas pelo telefone (51) 3024-8090 ou no site oficial do MUHM.

A doação da máscara mortuária de Eduardo Sarmento Leite representa a união de família, instituições e comunidade em torno da preservação da memória médica. É um gesto inusitado e de grande relevância, que eterniza no Museu da Medicina o legado de um professor cuja obra transcende o tempo e continua a inspirar gerações — agora reafirmado pela presença de três gerações na cerimônia e pela certeza de que a família já se encontra em sua quinta geração, mantendo viva a tradição e o compromisso com a ciência e o bem comum.

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