Quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

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Médica que diagnosticou primeiros pacientes com a variante ômicron chama restrições adotadas por vários países de “precipitadas”

Novos países confirmaram casos da nova variante do coronavírus, ômicron, e agora a nova cepa já foi diagnosticada em cinco continentes.

União Europeia, Estados Unidos e Japão, entre outros, suspenderam voos de países africanos considerados de risco para a nova variante. Marrocos e Israel foram além: proibiram a entrada de viajantes internacionais por duas semanas.

Mas a médica Angelique Coetzee, presidente da Associação Médica da África do Sul, que diagnosticou os primeiros pacientes com a nova variante e fez alerta, afirmou que considera as medidas precipitadas.

A confirmação da nova variante veio depois dela desconfiar quando sete pacientes se queixaram no mesmo dia de cansaço extremo, dores no corpo e de cabeça. Após testes, veio a confirmação: todos com covid, apesar de não apresentarem tosse ou perda de olfato, sintomas clássicos da doença.

“Precisamos observar a evolução do quadro clínico dos pacientes porque, por enquanto, só estamos observando sintomas leves”, afirma.

Um dos países que cancelaram a entrada de voos vindos da África do Sul e outros países vizinhos foi o Brasil e, agora, brasileiros estão apreensivos com as dificuldades para deixar o país.

No Brasil, as autoridades de saúde estão monitorando o caso de um passageiro vindo da África do Sul que testou positivo após o desembarque, no último sábado (27), no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Ele está isolado e ainda não há nenhuma evidência de que tenha contraído a variante ômicron.

Descoberta na África do Sul, a nova variante do coronavírus apresenta 50 mutações. Cerca de 30 estão localizadas na chamada proteína spike, aquela que permite a entrada do vírus nas células humanas e é um dos principais alvos das vacinas contra a covid-19.

Uma primeira hipótese para a ocorrência de tantas mutações (três vezes mais do que o verificado na variante delta) é a de que ela tenha se desenvolvido em um paciente imunodeprimido que abrigou a variante Alpha por muito tempo na África do Sul.

Os testes detectam a ômicron por ela não ter um gene específico – o mesmo da Alpha, segundo especialistas internacionais. “Nunca tínhamos visto uma variante com tantas mutações”, diz o professor Amilcar Tanuri, coordenador do Laboratório de Virologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Os primeiros relatos dos médicos da África do Sul indicam que o vírus se espalha rapidamente, mas sem grande número de casos graves. “Essa observação na África do Sul ainda é empírica, mas corrobora a hipótese de atenuação do vírus e aumento da transmissibilidade”, afirma o coordenador da UFRJ.

“No Brasil, ainda não tivemos acesso à variante ômicron para estudá-la”, diz Tanuri. “Assim que ela for detectada no País, a primeira coisa a ser feita é isolar o vírus e colocar em contato com o soro de pacientes vacinados aqui no Brasil e também infectados com a variante delta”, afirma o virologista.

Dessa forma, será possível saber se ter superado outros coronavírus confere alguma imunidade (proteção cruzada) contra a ômicron. A segunda pergunta que precisará ser respondida é como a nova variante vai se comportar. Ou seja: se ela vai substituir a delta no Brasil, como parece estar fazendo na África.

Como o vírus consegue ser transmitido com uma velocidade maior que o concorrente, ele vence a disputa. O anterior continua circulando, mas em menor proporção. Vale lembrar que a delta acabou não causando um aumento de casos no Brasil – conforme muitos especialistas, por causa de uma combinação de vacinação e medidas sanitárias.

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