Sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

“Melhor que a Polícia Federal, mas não basta”: aliados de Bolsonaro cobram prisão domiciliar após Alexandre de Moraes mandar Bolsonaro para a Papudinha

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reagiram nessa quinta-feira (15) à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a transferência do ex-chefe do Executivo para uma sala no batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) conhecido como Papudinha.

O entorno bolsonarista reconhece que a mudança representa melhora em relação à permanência na Superintendência da Polícia Federal (PF), onde Bolsonaro estava desde novembro, mas ainda é tratada como insuficiente diante do quadro de saúde do ex-presidente – motivo pelo qual aliados reforçaram a pressão por prisão domiciliar.

O filho 02 do ex-presidente, Carlos Bolsonaro, criticou o magistrado logo após a decisão. “Aliados do PT já praticaram atos muito mais graves e nada lhes aconteceu. Ainda assim, condenar Jair Bolsonaro representa o maior dos absurdos”, escreveu em rede social.

Ao jornal O Globo, o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) voltou a atacar Moraes e disse que, embora a transferência represente uma melhora nas condições de custódia, o local ainda não atende ao que o grupo considera necessário diante do quadro clínico do ex-presidente.

“A Papudinha não é o ideal porque, pelas condições de saúde dele, ele precisa da prisão domiciliar”, afirmou o parlamentar.

Na mesma linha, o deputado Marco Feliciano (PL-SP) disse que a mudança ameniza parte das reclamações, mas reforçou que a expectativa era de que Moraes autorizasse Bolsonaro a cumprir a pena em casa, como ocorreu com o ex-presidente Fernando Collor.

“Queríamos a transferência dele para a sua casa. Prisão domiciliar como foi dado ao ex-presidente Collor. Mas a transferência para a Papudinha já melhora um pouco, por conta do espaço, e o atendimento médico conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes”, disse Feliciano.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), aliada do bolsonarismo e amiga próxima de Michelle Bolsonaro, classificou o despacho como “absurdo” e também reforçou que, para ela, o ex-presidente deveria deixar o sistema de custódia.

“Decisão absurda. Ele precisa ir para casa”, afirmou.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), também criticou a medida e disse ver motivação política na transferência.

“A transferência de um ex-presidente para penitenciária, por decisão isolada, é punição política, vingança travestida de legalidade e demonstração de força de quem já não reconhece limites”, declarou.

O deputado Bibo Nunes (PL-RS) foi na mesma direção e afirmou que Moraes usa o caso para perseguir Bolsonaro, além de reiterar o pedido de prisão domiciliar. Segundo ele, deputados e senadores chegaram a aprovar uma moção em defesa da mudança de regime.

“Foi mais uma demonstração do ódio, da raiva, da vingança que ele tem com Bolsonaro. Quando todos sabem que ele precisa de prisão domiciliar, onde nós, deputados e senadores, fizemos uma moção pedindo para que simplesmente coloquem ele em prisão domiciliar, ele vem colocar no presídio, porque a Papudinha faz parte do complexo Papuda. É lamentável e mostra mais uma vez o ódio que Moraes tem por Bolsonaro. Ele, aliás, não deveria nem estar mexendo em qualquer processo ou julgamento envolvendo o ex-presidente”, disse.

Família 

Sob reserva, o entorno da família reconhece que a decisão de Moraes é benéfica ao ex-presidente, uma vez que a sala na Papudinha é cinco vezes maior e as instalações oferecem melhor atendimento médico. Os familiares também poderão visitá-lo por três horas consecutivas, segundo despacho do ministro. Na sede da PF, a família vinha reclamando do barulho do ar-condicionado central e do tamanho da cela.

Em seu perfil no X (antigo Twitter), o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) chegou a escrever que “aparentemente” as instalações seriam melhores, sem barulho e com suporte médico 24 horas por dia.

Bolsonaro foi transferido para o 19º Batalhão da PMDF, onde já estão presos o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques. O local ganhou o apelido de Papudinha por ficar ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda.

No mesmo despacho, Moraes também determinou que Bolsonaro passe por exame médico feito por peritos da PF. A avaliação deverá atestar seu estado clínico e a “necessidade de transferência para o hospital penitenciário”. O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, pelo STF, por tentativa de golpe de Estado.

Nos bastidores, parlamentares do PL têm tratado a transferência como uma “vitória parcial” na disputa em torno das condições de custódia, mas insistem que a medida não responde à principal demanda do grupo: a concessão de prisão domiciliar. O diagnóstico político no entorno do ex-presidente é de que a discussão sobre saúde seguirá como eixo central da estratégia de pressão, ampliando o confronto público com Moraes. (Com informações do jornal O Globo)

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