Domingo, 01 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 1 de fevereiro de 2026
No momento em que o Copom se prepara para iniciar o ciclo de afrouxamento dos juros, um novo indicador de atividade elaborado pelo Santander acende um sinal amarelo: o mercado de trabalho se encontra em situação semelhante à observada em 2023, quando o BC iniciou seu último ciclo de cortes.
A comparação traz embutida um alerta: na ocasião, o Banco Central iniciou um ciclo de cortes com expectativas de inflação ainda desancoradas, só para o interromper meses depois porque elas voltaram a superar o teto da meta, em um contexto de reaquecimento da atividade.
O estudo do Santander tenta mostrar a quantidade de empregos que o Brasil precisa criar para evitar pressão inflacionária ou deflacionária indica que o mercado de trabalho continua apertado e age como um fator de alta dos preços, o que obriga o Banco Central a manter uma política de juros altos por mais tempo.
Em relatório, os economistas Henrique Danyi e Gabriel Couto propõem a criação de um indicador que mostre qual deve ser a criação líquida de empregos nos próximos 18 meses (horizonte relevante da política monetária) para alcançar a Nairu – sigla em inglês para a taxa de desemprego que não acelera a inflação.
“Após o ciclo de afrouxamento de 2023, o desempenho da atividade econômica melhorou rapidamente e trouxe os riscos inflacionários à frente, com as expectativas de inflação rompendo o teto da meta em 2024”, aponta relatório do Banco Santander.
Com base no modelo desenvolvido, os economistas afirmam que o volume atual de contratações ainda supera o necessário para levar o desemprego ao seu ponto de equilíbrio em um ano e meio.
Até novembro de 2025, o indicador mostrava que a criação líquida de vagas necessária para alcançar a Nairu nos 18 meses seguintes era de aproximadamente 28 mil para o Caged (pesquisa que cobre empregos formais) e 59 mil para a Pnad Contínua (que engloba também os trabalhadores informais).
“As estatísticas da Pnad já convergiram para mais perto da neutralidade, mas as do Caged ainda mostram sinais de resiliência”, disseram os economistas no documento. “Isso cria riscos claros para a política monetária. Após o ciclo de afrouxamento de 2023, o desempenho da atividade econômica melhorou rapidamente, e trouxe os riscos inflacionários à frente, com as expectativas de inflação rompendo o teto da meta em 2024.”
Considerando os dados mais recentes para ambas as pesquisas, a média mensal de criação de empregos em 2025 foi de 106,6 mil para o Caged e de 62,9 mil para a Pnad Contínua, segundo os dados do Ministério do Trabalho e do IBGE. (Com informações do Valor Econômico e O Estado de S. Paulo)