Domingo, 07 de agosto de 2022

Mesmo com crescimento na arrecadação de tributos federais, as contas do governo central ficaram no vermelho em maio

A Secretaria do Tesouro Nacional informou que as contas do governo federal registraram déficit primário de R$ 39,4 bilhões em maio.

O déficit primário acontece quando a arrecadação com tributos fica abaixo dos gastos do governo (sem considerar o pagamento de juros da dívida pública). Quando as receitas superam as despesas, o resultado é de superávit primário.

Esse foi o maior rombo nas contas do governo para meses de maio desde 2020, momento em que a pandemia da covid impactou fortemente o resultado e foi registrado um déficit de R$ 152,9 bilhões (valor corrigido pela inflação). A série histórica do Tesouro tem início em 1997.

No mesmo mês do ano passado, segundo o Tesouro, as contas do governo registraram resultado negativo de R$ 23,4 bilhões (valor também atualizado pelo IPCA).

O déficit nas contas do governo em maio aconteceu apesar da boa arrecadação de tributos, que somou R$ 165 bilhões no maior valor para o mês em 28 anos.

13° de aposentados

De acordo com o Tesouro Nacional, o resultado de maio sofre influência, entre outros fatores, do aumento de R$ 20,7 bilhões no pagamento de benefícios previdenciários, explicado pela antecipação em um mês do calendário de pagamento do 13º salário de aposentados e pensionistas em 2022.

Em 2021, de acordo com a instituição, houve pagamento de R$ 6,5 bilhões, R$ 28 bilhões e R$ 21,6 bilhões em maio, junho e julho, respectivamente, no décimo terceiro de aposentados.

Em 2022, os valores começaram a ser pagos em abril, e somaram R$ 6,4 bilhões naquele mês, e R$ 28,2 bilhões em abril e maio.

Parcial e meta fiscal

Ainda segundo o Tesouro Nacional, no acumulado dos cinco primeiros meses deste ano, as contas do governo registraram superávit primário de R$ 39,2 bilhões.

Em valores corrigidos pela inflação, o saldo positivo de janeiro a maio somou R$ 41,8 bilhões. Este foi o maior resultado para este período 2013, quando houve superávit de R$ 54,9 bilhões.

No mesmo período do ano passado, foi registrado resultado positivo de R$ 23,4 bilhões (valor corrigido pela inflação).

Para o ano de 2022, o governo está autorizado a registrar déficit primário de até R$ 170,5 bilhões, conforme a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Receitas e despesas

De acordo com o Tesouro Nacional, as receitas líquidas, ou seja, após as transferências aos estados e municípios, somaram R$ 748,4 bilhões nos cinco primeiros meses deste ano, com alta real de 8,4% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Ao mesmo tempo, ainda de acordo com números oficiais, as despesas totais somaram R$ 709,2 bilhões no mesmo período, com crescimento de 5,9% contra janeiro a maio de 2021.

Do lado das despesas, as principais variações foram:

— Aumento nos pagamentos dos benefícios previdenciários (+R$ 27,2 bilhões), em razão da antecipação do calendário do 13º salário de aposentados e pensionistas;

— Alta nas despesas obrigatórias (+R$ 26,4 bilhões), com destaque para o aumento de R$ 25,4 bilhões no Bolsa Família e Auxílio Brasil;

— Crescimento no abono salarial e seguro-desemprego (+R$ 11,0 bilhões), explicados pela concentração do pagamento de Abono Salarial nos meses de fevereiro e março de 2022;

— Queda nas despesas de Pessoal e Encargos Sociais (-R$ 11,8 bilhões).

— Recuo nos créditos extraordinários (R$ 27,2 bilhões), em larga medida influenciado pelo menor pagamento de despesas associadas ao combate à covid.

 

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Banco Central admite oficialmente estouro da meta de inflação pelo segundo ano seguido
Para o Ministério da Economia, o aumento de gastos durante a pandemia não piora a dívida pública
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play