Sexta-feira, 06 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 5 de fevereiro de 2026
A balança comercial brasileira encerrou o mês de janeiro com superávit de US$ 4,32 bilhões, segundo dados divulgados nessa quinta-feira (5) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O resultado reflete um cenário em que as exportações superaram as importações no período.
Na comparação com janeiro de 2025, o saldo positivo apresentou um avanço expressivo de 85,8%, o que representa um acréscimo de US$ 2,34 bilhões. Trata-se do melhor desempenho para meses de janeiro desde 2024, quando o superávit foi de US$ 6,2 bilhões, além de ser o segundo maior resultado histórico para o mês desde o início da série, em 1989.
De acordo com o governo, em janeiro:
• As exportações totalizaram US$ 25,15 bilhões, com crescimento de 3,8% na média diária;
• As importações somaram US$ 20,1 bilhões, registrando queda de 5,5% na mesma base de comparação.
Entre os destaques da pauta exportadora em janeiro, estão:
• Óleo bruto de petróleo: US$ 4,3 bilhões (queda de 7,8%);
• Minério de ferro: US$ 2,05 bilhões (recuo de 8,6%);
• Carne bovina: US$ 1,3 bilhão (alta de 42,5%);
• Café não torrado: US$ 1,01 bilhão (queda de 23,7%);
• Celulose: US$ 957 milhões (recuo de 6,1%).
Efeitos do tarifaço
O comércio com os Estados Unidos foi impactado pelas tarifas impostas pelo governo norte-americano. As exportações brasileiras para os EUA caíram para US$ 2,4 bilhões em janeiro, ante US$ 3,22 bilhões no mesmo mês do ano anterior — uma retração de 25,5%.
Já as importações de produtos americanos somaram US$ 3,07 bilhões, recuo de 10,9% frente a janeiro de 2025. Com isso, a balança comercial bilateral registrou déficit de US$ 668 milhões no primeiro mês de 2026.
O tarifaço anunciado pelo presidente Donald Trump começou a ser aplicado de forma gradual a partir de abril, com taxas mais elevadas para alguns produtos, como aço e alumínio. Em agosto, foi imposta uma sobretaxa específica de 50% sobre produtos brasileiros, apesar de uma lista de exceções com mais de 700 itens, incluindo petróleo, fertilizantes, suco de laranja e aeronaves.
Com o avanço das negociações entre os governos dos dois países ao longo do ano, os Estados Unidos retiraram, em novembro, tarifas sobre produtos como carne bovina, café, açaí e cacau, embora parte das exportações brasileiras ainda siga sujeita a impostos.
Outros mercados
O desempenho da balança comercial brasileira só não foi mais negativo devido à expansão das exportações para outros mercados, o que ajudou a compensar as perdas no comércio com os EUA. Houve, no entanto, retração nas vendas para a União Europeia e para o Mercosul.
Veja o desempenho das exportações brasileiras em janeiro por região:
• China: alta de 17,4%, totalizando US$ 6,47 bilhões;
• Mercosul: queda de 13,5%, para US$ 1,45 bilhão;
• União Europeia: retração de 6,2%, com US$ 3,92 bilhões;
• México: avanço de 24,4%, alcançando US$ 411 milhões;
• Oriente Médio: crescimento de 31,6%, somando US$ 1,78 bilhão.
(Com informações do g1 e ICL Notícias)