Sábado, 17 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 16 de janeiro de 2026
Com orçamento recorde do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para habitação, reformulação do modelo de crédito imobiliário e lançamento de linha para a classe média e do Reforma Brasil, o governo espera que o Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) continue impulsionando o desempenho da construção civil neste ano eleitoral.
Em entrevista, o secretário nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Augusto Rabelo, disse que a expectativa é contratar 1 milhão de moradias. Além disso, reforçou que o governo quer entregar 60% das obras em execução – 172 mil unidades – no primeiro semestre, ou seja, enquanto não há restrições eleitoral para realização de eventos políticos.
Apesar do impacto positivo na economia, economistas ouvidos pelo Valor chamam a atenção para o subsídio do governo ao programa. Somente para atender à faixa 1, o Ministério das Cidades reservou R$ 8,567 bilhões para este ano. Segundo dados da pasta, esse valor foi de R$ 9,117 bilhões em 2023, de R$ 13,623 bilhões em 2024 e de R$ 8,649 bilhões em 2025.
Do total de 1 milhão de moradias, 390 mil serão destinadas a famílias com renda bruta mensal de até R$ 2.850, na chamada faixa 1. Das unidades destinadas a esse público de menor renda, 140 mil serão integralmente subsidiadas pelo governo federal. Para isso, o Ministério das Cidades reservou R$ 8,567 bilhões neste ano. O restante – 250 mil unidades – será contratado por meio de financiamento.
Segundo o secretário, os ajustes feitos no programa desde 2023 se consolidaram, e os resultados aparecerão de forma mais clara a partir deste ano, o que poderá contribuir para sustentar a expansão do setor da construção. “2026 terá um amadurecimento desse ciclo iniciado em 2023, ano em que recuperamos o Orçamento e a política pública foi redesenhada”, disse Rabelo.
“Expansão fiscal não sustentável acaba produzindo aumento dos juros e do prêmio de risco”, disse Gabriel Leal de Barros
Ele lembrou que, em 2023, as contratações somaram 490 mil unidades; em 2024, 605 mil; e devem ultrapassar 670 mil no dado fechado de 2025. Do primeiro ano de governo até meados de dezembro, foram contratadas 1.967.824 unidades no âmbito do programa. Com a estimativa de contratação de mais 1 milhão neste ano, o presidente Lula encerraria seu terceiro mandato com a marca de 3 milhões de moradias contratadas.
Na avaliação do secretário, os financiamentos imobiliários neste ano devem ser puxados pelo orçamento recorde do FGTS de R$ 144,5 bilhões para habitação e pelo aumento do valor máximo do imóvel financiado pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH), de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões.
A transição para as novas regras do modelo de crédito imobiliário, que deve estar plenamente em funcionamento em 2027, contribuirá para alavancar o mercado, pois proporcionará – se confirmadas as expectativas – mais funding para o financiamento da casa própria, diante da escassez de recursos da caderneta de poupança. Além da contratação de 390 mil unidades da faixa 1, Rabelo afirmou que a previsão é de que sejam contratadas neste ano 89 mil unidades para a classe média. No passado, foram assinados 31 mil contratos.
Esse cenário positivo para contratações e entregas do MCMV deve manter aquecida a construção civil, conforme o presidente-executivo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Fernando Guedes. Segundo ele, o programa habitacional respondeu por quase metade dos lançamentos (47%) e das vendas (44%) do setor no terceiro trimestre de 2025.
No que diz respeito à geração de empregos, a construção civil criou 3,075 milhões de postos com carteira assinada, sendo 1,178 milhão na construção de edifícios no acumulado de janeiro a setembro de 2025, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.
Segundo Guedes, desse total de 1,178 milhão, algo em torno de 550 mil empregos se deve ao programa habitacional. “Estou otimista em relação a 2026. Devemos manter a tendência positiva de 2025”, contou, destacando, no entanto, que o desempenho será um pouco mais moderado do que o observado em 2024.
Para Gabriel Barros, economista-chefe da ARX Investimentos e ex-diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI), no curto prazo esse tipo de iniciativa é positiva para o Produto Interno Bruto (PIB), “mas, como a política pública é matematicamente insustentável, é negativa no médio e no longo prazos”. “A expansão fiscal não sustentável acaba produzindo aumento dos juros e do prêmio de risco, diante da piora da percepção de risco, o que reduz a potência da própria expansão fiscal. É algo de horizonte curto e que entrega problemas enormes no day after, quando a política chega ao fim ou é revisada para baixo”, afirmou. Com informações do portal Valor Econômico.