Quinta-feira, 09 de dezembro de 2021

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Ministério Público de SP quer ouvir 50 pessoas até dezembro para apurar mortes de pacientes após tratamento com “Kit Covid”

A força-tarefa do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pretende ouvir aproximadamente 50 pessoas até dezembro deste ano no inquérito que apura irregularidades cometidas pela Prevent Senior contra pacientes que tiveram problemas de saúde ou morreram após usarem o “kit Covid”.

O grupo de trabalho do MP foi criado em setembro para investigar diretores e médicos da operadora de planos de saúde suspeitos de terem cometido ao menos três crimes contra as vítimas: homicídio, falsidade ideológica e omissão de notificação de doença obrigatória às autoridades.

Já está cientificamente comprovado que os medicamentos fornecidos pela empresa aos pacientes no kit são ineficazes contra a doença. Em outras palavras, não previnem nem combatem o coronavírus.

Entre os remédios que fazem parte do “kit Covid” estão a hidroxicloroquina, a cloroquina, a ivermectina e a flutamida. Eles foram dados pela empresa para pacientes com coronavírus que procuraram seus hospitais e até àqueles que passaram por teleconsultas e relataram ter os sintomas da doença.

O número exato de depoimentos realizados na investigação não foi divulgado pelos seis promotores que integram a força-tarefa. No entanto, que a maioria das pessoas que estão sendo e continuarão a ser ouvidas são pacientes que sobreviveram ao vírus e familiares de pacientes que morreram em razão dele, em torno de 25 a 30 depoimentos.

Pelo menos oito dessas pessoas já prestaram depoimentos, sendo sete delas parentes de pacientes que participaram dos estudos com a cloroquina e morreram depois. A outra foi o advogado Tadeu Frederico de Andrade, de 65 anos. Beneficiário do plano da Prevent Senior, ele recebeu os medicamentos do “kit Covid”.

Ouvido anteriormente em Brasília pela CPI da Covid, Tadeu falou que teve complicações ao tomar os remédios. Além disso, afirmou que a empresa cometeu uma série de irregularidades durante seu tratamento.

Os depoimentos de pacientes e familiares de pacientes estão ocorrendo no Fórum Criminal da Barra Funda, Zona Oeste da capital. Alguns são virtuais, outros presenciais, dependendo da preferência de cada testemunha.

Diretores e médicos

Além do MP, a Polícia Civil investiga dirigentes e médicos da Prevent Senior por determinarem e distribuírem o “kit Covid” a pacientes.

Em outras oportunidades, dirigentes da operadora disseram à imprensa que seus médicos têm autonomia para prescrever o tratamento aos pacientes. Mas médicos ouvidos pela reportagem alegam que, na verdade, eles eram ameaçados pela empresa a dar o “kit Covid”.

Delegados já ouviram, com promotores, o diretor da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, no Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil. O dirigente, que é médico, negou que a operadora de planos de saúde tenha cometido irregularidades no tratamento de pacientes com Covid.

Além desse dirigente da Prevent Senior, outros diretores devem ser chamados a depor, assim como médicos. Inclusive aqueles que fizeram um dossiê para denunciar à CPI da Covid as supostas irregularidades cometidas pela empresa.

MP e Polícia Civil analisam ainda prontuários médicos dos pacientes que morreram, conversas, exames, receitas médicas, além de documentos repassados pela CPI da Covid e também pela Prevent Senior. Peritos médicos da própria Promotoria vão ajudar na análise técnica dos documentos.

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