Quarta-feira, 04 de março de 2026

Ministério Público Federal investiga empresas dos Estados Unidos e da Suíça por extração ilegal de minério na terra Yanomami

O Ministério Público Federal (MPF) abriu recentemente inquérito para investigar uma mineradora de Roraima e empresas da Suíça e dos Estados Unidos por exploração ilegal de minério na Terra Indígena Yanomami. O caso envolve a exportação de 732,8 toneladas de cassiterita ilegalmente extraída da reserva indígena entre os anos de 2021 e 2022, período em que a região foi submetida a todo tipo de ação do crime organizado em Roraima.

O órgão diz que articular medidas de cooperação jurídica internacional voltadas à reparação dos danos causados ao povo Yanomami na ação.

O MPF apura a responsabilidade da Gerald Metals SARL (Suíça), da MLS Berkowitz Investments LLC (EUA) e da Betser, uma mineradora comandada pelo empresário Christian Costa dos Santos, preso pela Polícia Federal, em 2023, na esteira de uma investigação sobre a movimentação de 250 milhões de reais em transações com minério retirado dos Yanomami.

Território

A Terra Indígena Yanomami, homologada em 1992 e com mais de 9,5 milhões de hectares, é o maior território indígena do Brasil, estendendo-se pela floresta amazônica nos Estados de Roraima e Amazonas e na fronteira com a Venezuela, e abriga cerca de 30 mil indígenas dos povos Yanomami e Ye’kwana, distribuídos em centenas de comunidades.

O território é reconhecido por sua biodiversidade e riqueza cultural, com modos de vida tradicionais baseados em caça, coleta e horticultura, e pela presença de grupos indígenas isolados que evitam contato permanente com a sociedade não indígena.

No entanto, o local enfrenta há anos uma grave crise humanitária e ambiental, marcada pelo avanço de garimpo ilegal, que degrada florestas, contamina rios com mercúrio e contribui para a disseminação de doenças como malária e desnutrição entre os povos indígenas.

Em resposta, o governo federal intensificou ações desde 2023, com operações integradas de segurança, saúde e meio ambiente para desarticular invasores, reduzir drasticamente as áreas de garimpo e ampliar a assistência à saúde indígena, resultados que incluem a redução de praticamente toda a mineração ilegal ativa no território e a contratação de mais profissionais de saúde.

Apesar dos avanços, lideranças indígenas e organizações alertam que desafios persistem, especialmente na proteção territorial contínua, na garantia de direitos básicos e na mitigação dos impactos ambientais e sociais legados pela extração ilegal de minerais. (Com informações do portal da revista Veja)

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